9 de fev de 2012

Luxo “made in India”


Conotado como um país de produção barata de têxteis e vestuário, a Índia quer ser vista também como um país de rica tradição têxtil e de moda de luxo. Um propósito da designer Saloni Lodha, cujas criações vestem estrelas de Hollywood como Naomi Watts e Emma Watson.
 
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Luxo “made in India”
 O vestuário “made in India” é muitas vezes visto como produto de um trabalho feito em condições deploráveis, mas a designer de moda Saloni Lodha, cujos fãs incluem as estrelas de cinema Naomi Watts e Emma Watson, quer dar-lhe uma marca de luxo. «Tenho uma grande fé na ideia do “made in India” e quero ver uma marca indiana, prodizida na Índia, nas melhores lojas do mundo», explicou, durante uma visita a Mumbai para se abastecer de tecidos.

Sedeada na Grã-Bretanha, Lodha lançou a sua marca, Saloni, em 2007 com apenas 10 designs na sua oferta. Atualmente, os seus vestidos femininos estão em algumas das melhores lojas do mundo e são usados por muitas celebridades.
Sendo um sucesso precoce numa indústria competitiva e muitas vezes implacável, a designer de 30 anos expandiu o seu negócio para incluir joalharia e carteiras, sempre alardeando as origens indianas da sua marca no ponto de venda. Tudo na coleção é produzido na Índia em colaboração com tecelões, alfaiates e bordadores tradicionais.
Lodha, que mantém um estúdio de design em Londres onde desenha os modelos, afirma que o seu trabalho é construído «num constante diálogo entre a Índia e Londres».
O sucesso na sua carreira coincidiu com um crescente interesse na Índia entre as casas de moda estrangeiras, tanto como uma fonte de inspiração como pelo ótimo trabalho manual. A casa de moda de luxo francesa Hermès lançou um sari de edição limitada em outubro de 2011 e o kaiser da moda, Karl Lagerfeld, apresentou uma ode à herança real do país numa recente coleção para a Chanel.
De Valentino a Armani, vários dos maiores designers de moda do mundo voltaram-se para a Índia para contratarem bordados elaborados para os seus vestidos de noite. Mas poucos discutem a produção de vestuário na Índia tão aberta e profundamente como Lodha, com medo que os consumidores possam recusar pagar muito por artigos “made in India”. A criadora indiana encolhe os ombros a essas preocupações. «A Índia tem qualidades de produção incríveis, há capacidades que simplesmente não se conseguem replicar. O “made in India” é um luxo a muitos níveis», sublinha.
Lodha trabalha com artesãos de todo o país, desde famílias na Caxemira que tecem os lenços em caxemira e seda da Saloni a cooperativas de mulheres tecelãs nos Himalaias, perto da fronteira com o Tibete.
Educada numa família tradicional na cidade indiana de Nasik, Lodha revela ter sido uma criança muito visual com um gosto particular pelos tecidos indígenas e pelos pesados saris em seda que eram os favoritos da sua bisavó. «Os meus olhos sempre fugiram para cores e estampados quando era criança», conta.
Após ter estudado design gráfico em Mumbai, casou-se e mudou-se para Hong Kong com 20 anos. «Foi então que comecei a pensar em moda. Tudo o que se podia encontrar em Hong Kong eram marcas de luxo, por isso pensei que podia fazer os meus próprios vestidos e vendê-los a clientes de uma forma mais pessoal», explica. Criou pequenas lojas pop-up, temporárias, para vender os seus vestidos de brocado indiano, seda e algodão.
Seguiu-se um período de três anos numa consultora de moda em Londres e um pequeno curso na conhecida escola de moda Central Saint Martins.
Por fim, em setembro de 2007, pegou em todas as suas poupanças e lançou a marca Saloni durante a Semana de Moda de Londres. A linha foi imediatamente comprada pela department store londrina Harvey Nichols e outros compradores se seguiram.
Apesar da riqueza do artesanato e da tradição de centenas de anos da indústria têxtil da Índia, poucos designers indianos tiveram sucesso no estrangeiro, com exceção de Ritu Beri, de Deli, anteriormente na casa de moda francesa Jean-Louis Scherrer, e Manish Arora, atual diretor artístico da Paco Rabanne. Os restantes preferiram direcionar-se para o próprio mercado interno em crescimento, como Lodha está a começar a fazer agora. «Quase que não vendi na Índia mas fui recentemente abordada pela Le Mill (uma loja de Mumbai). Começámos a vender aí na Primavera-Verão 2011 e a resposta tem sido fantástica», refere.
Embora admita que se sente «incrivelmente excitada» por ver as suas roupas nas estrelas de Hollywood, a criadora indiana tem agora um novo cliente em mente. «Adoro Bollywood! Provavelmente vejo mais filmes de Bollywood do que amigos meus que vivem na Índia», exclama. «Adoro a Freida Pinto, Deepika Padukone, Sonam Kapoor», refere, citando atrizes indianas. «Adorava vê-las com as minhas roupas», acrescenta.
Nos próximos meses, Lodha planeia lançar a sua própria loja on-line e, eventualmente, uma loja física. «Não sinto como se já tivesse conseguido», afirma. «Há um longo caminho a percorrer e sinto que estou a aprender a cada passo», conclui.

fonte: AFP