6 de fev de 2012

Alta-costura chinesa floresce


A China pode ainda ser mais conhecida pelas suas falsificações do que pelas suas criações de moda, mas a alta-costura “made in China” está a conquistar cada vez mais adeptos no país e os designers chineses ousam já dar os primeiros passos na passerelle internacional.
 
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Alta-costura chinesa floresce
 Os designers chineses estiveram no centro da Semana de Moda de Hong Kong para o Outono-Inverno 2012/2013, aproveitando os quase 2.000 expositores de 26 países e regiões para deixarem a sua marca.
«A China tem sido a fábrica do mundo há já algum tempo», afirma o designer chinês Qi Gang, cujas criações apresentaram cores vivas, lantejoulas, pelos e penas. «Mas à medida que a nossa economia se desenvolve, estamos também a tornar-nos num país de marcas famosas, grandes marcas. Esta tendência é imparável», acredita.
Qi, que descreve os seus estilos como «sexy e extravagantes», está a lucrar com a crescente riqueza da sua vasta nação, cujo crescimento económico tem sido afetado por uma economia mundial enfraquecida mas que ainda assim registou um acrescimento de 8,9% no quarto trimestre em comparação com o ano anterior. A sua marca SCfashion registou um volume de negócios de 47 milhões de dólares (35,7 milhões de euros) no ano passado e a sua cadeia de lojas na China aumentou de 25 para 40.
Qi faz parte de uma crescente geração de designers chineses que inclui Uma Wang, Qiu Hao e Ma Ke, cuja marca de «exceção» é conhecida como a coisa mais parecida com uma marca de luxo que a China tem.
«Os designers chineses estão definitivamente a marcar o seu território», considera Craig Lawrence, um designer de vestuário em malha sedeado no Reino Unido, que vaticina que a China deverá beneficiar das ações das capitais de moda ocidentais, como Paris, para se tornarem mais mundiais.
«Estão a colocar a sua marca na plataforma internacional porque esta Fashion Extravaganza [a passerelle da Semana de Moda de Hong Kong] é uma tal mistura de pessoas internacionais e há muita imprensa de todo o mundo que ajuda a criar buzz», acrescenta.
Embora as marcas internacionais ainda dominem os mercados de luxo, as marcas locais têm a vantagem de “jogar em casa”, indicou a investigadora de moda Angelia Teo, diretora de conteúdo da WGSN na Ásia-Pacífico. «Muitos dos designers chineses irão ficar muito satisfeitos e com muito retorno se centrarem os seus negócios de um ponto de vista doméstico, simplesmente porque há muito apetite por isso», acrescenta, sublinhando que os consumidores locais estão a desenvolver um sentido de estilo sofisticado. «Começamos a ver que os chineses estão a tornar-se mais nacionalistas na forma como compram. Por isso querem comprar algo que seja chinês, querem comprar a estética de design com que cresceram. Os designers chineses estão a responder a essa necessidade», conclui.
 
Fonte: Alexandra Costa