26 de jan de 2012

GRAVATA DE VOLTA AO PESCOÇO


Agora que os homens mais velhos as deixaram para parecerem mais modernos e jovens, os jovens com estilo estão a reclamar “direitos” sobre a gravata, com o acessório, anteriormente desprezado, a regressar às passerelles no pescoço das mais reputadas marcas de moda masculina.
 
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Gravata de volta ao pescoço
 «Raramente uso uma», afirmou Antoine Arnault, o filho de 34 anos do empresário Bernard Arnault, dono do conglomerado do luxo LVMH, na Semana de Moda Masculina de Paris, à margem do primeiro desfile de moda de sempre da marca de calçado do LVMH, a Berluti – onde as gravatas fizeram parte do visual. «Exceto nas segundas-feiras à tarde quando tenho reuniões com o meu pai. Se não usar uma, sou o estranho desenquadrado», acrescentou.
Também o pai surgiu sem gravata na primeira fila do desfile Dior Homme – um facto que não passou despercebido à multidão de fashionistas. «É fim-de-semana», sussurrou alguém.
O silêncio instaurou-se com o primeiro modelo que pisou a passerelle com uma gravata, preta e fina, como a maioria dos looks criados pelo jovem designer belga da marca, Kris Van Assche.
Gravatas semelhantes foram vistas na Hermès e na Raf Simons – onde houve uma mudança, com a gravata entre dois colarinhos de camisa, sobrepostos a alturas diferentes.
E onde não surgiram gravatas houve muitas vezes a sugestão de uma – numa faixa de um lenço de seda visível sob a gola na Paul Smith ou uma camisa em seda cruzada tipo quimono na Louis Vuitton.
Karl Lagerfeld, por exemplo, nunca sai sem uma gravata. «Usei gravata toda a minha vida – desde a escola», disse após o desfile da Dior Homme. «Não suporto pessoas com um aspeto desgrenhado – sobretudo depois dos 35 anos».
A idade é, com efeito, crítica no que respeita à gravata. «De há alguns anos para cá, os homens de negócios começaram a sair sem gravata para parecerem mais novos», explicou o consultor da indústria de luxo Jean-Jacques Picart à margem do desfile de moda masculina da Kenzo, que utilizou gravatas num visual considerado como urbano e fácil. «Por isso, é normal que os jovens a reclamem», considera.
O problema de se andar sem gravata, segndo Picart, é que a maior parte das camisas são desenhadas para serem usadas com uma gravata. É preciso escolher um colarinho com botões muito altos no pescoço para ficar bem – e não há muitas por aí. Além disso, após uma certa idade, o «pescoço pode parecer um pouco rugoso – um pouco como o pescoço de uma galinha ou de um peru» - um argumento poderoso do seu ponto de vista para voltar a usar gravata.
Na Lanvin não houve gravatas até ao final, onde houve gravatas em todos os looks de noite – tirando um único laço, uma referência ao estilo próprio do designer Alber Elbaz. «As gravatas fazem parte do fato que está de volta», confirmou Elbaz. «Não as gravatas dos nossos pais ou avôs. São usadas por uma nova geração que vem do desporto, das novas tecnologias. Não é o mundo dos dandy’s nem o das salas de aulas», concluiu.
 
Fonte: AFP