13 de jan de 2012

Luxo invade Coreia do Sul


Há 60 anos atrás, devastada pela guerra, a Coreia do Sul era um dos países mais pobres do mundo. Atualmente é a 13.ª maior economia do planeta e um ímã para os artigos de luxo direcionados às carteiras dos seus cidadãos mais abastados, bem como dos muitos turistas asiáticos que visitam o país.
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Luxo invade Coreia do Sul
 Uma pesquisa realizada pela McKinsey revelou que os sul-coreanos são menos comedidos que outros asiáticos no que se refere a exibir os seus produtos de luxo. Apenas 26% dos sul-coreanos entrevistados afirmaram sentir-se culpados por mostrar os seus artigos de luxo, em comparação com 49% dos japoneses e 38% dos chineses.
Hoje, os 50 milhões de habitantes do país podem comprar artigos de design lado a lado com produtos alimentares nas lojas de conveniência Seven-Eleven. Não é a primeira vez que estas lojas oferecem produtos de luxo.
A cadeia de retalho vendeu um terço a mais do que o esperado de bolsas e carteiras da Gucci durante o feriado de Ação de Graças da Coreia do Sul. «Foi um grande sucesso e estamos a pensar expandir a nossa linha de produtos de luxo para outros acessórios», revelou Cho Yun-jung, responsável de marketing da Seven-Eleven.
Outros pontos de venda do mercado de massas estão também a entrar no jogo. Para responder à procura, a filial local da britânica Tesco e a coreana Lotte Mart, parte da Lotte Shopping, propõem artigos das marcas Chanel, Prada, Ferragamo e Balenciaga.
As clássicas bolsas da Chanel são vendidas por 5 milhões de won até quase 7 milhões de won (cerca de 5 mil euros) em lojas de departamento locais e são frequentemente oferecidas a noivas pelas famílias dos noivos.
A loja Chanel no retalhista de luxo Shinsegae, numa zona chique do Sul de Seul, realizou vendas no valor de 460 milhões de won no primeiro dia de abertura em 2010, a segunda maior venda num único dia na história do retalho de moda da Coreia do Sul.
Em 2010, as vendas de artigos de luxo na Coreia do Sul aumentaram, pelo menos, 12%, para cerca de 4,5 mil milhões de dólares, segundo a McKinsey. Já a China, com os seus 1,3 mil milhões de habitantes, arrecadou 12,57 mil milhões de dólares mas vendas de artigos de luxo em igual período.
Parte desse crescimento é também alimentado por uma combinação de moeda sul-coreana barata e um “boom” na sua cultura pop que varreu a Ásia, fomentando a procura dos turistas estrangeiros. A demografia também teve o o seu papel. «A Coreia tem mais mulheres a trabalhar, mais rendimento disponível em termos gerais e a classe de homens consumidores de luxo está ainda a despontar», revela Aimee Kim, do escritório da McKinsey em Seul.
Grandes armazéns, como o Lotte e o Shinsegae, contrataram tradutores chineses e japoneses e o turista chinês típico gasta cerca de 1.000 dólares numa visita a Shinsegae, principalmente em produtos de designer e cosméticos de marca, de acordo com o 2.º maior retalhista da Coreia do Sul.
A perspetiva de mais turistas originários dos países asiáticos de rápido crescimento levou a Louis Vuitton a abrir sua única loja duty-free no aeroporto internacional Incheon, a principal porta de entrada para Seul. A média de vendas diária é cerca de 400 milhões de won, ou seja, 10% do total das vendas diárias do aeroporto em lojas duty-free.
O número de turistas provenientes da China continental aumentou 16,5% até outubro de 2011, em relação a igual período do anterior, enquanto as chegadas do Japão subiram 5,6%, de acordo com a Organização do Turismo da Coreia.
Os sul-coreanos estão também a expandir os seus hábitos de luxo on-line e os bancos locais estão a responder com cartões de crédito especiais destinados a financiar as compras, levantando preocupações que o país possa ver uma repetição da crise da dívida de 2003, a qual foi alimentada pelo crédito.



Fonte: Reuters