25 de jan de 2012

Dior sem criador: até quando?


Dez meses após John Galliano ter sido despedido por insultos racistas, a Dior não nomeou ainda um novo diretor criativo, apesar das vendas continuarem a crescer. Mas levanta-se a questão: durante quanto tempo pode a casa de moda francesa prosperar sem um criador ao leme?
dummy
Dior sem criador: até quando?
 Na Semana de Moda de Paris em setembro, o diretor-executivo da Christian Dior, Sidney Toledano, recusou qualquer questão sobre a sucessão de Galliano, afirmando que a casa de moda irá levar o tempo necessário para encontrar a pessoa certa.
No mês seguinte, a Dior – a jóia da coroa do império de luxo de Bernard Arnault – registou um volume de negócios de 705 milhões de euros nos primeiros três trimestres de 2011, mais 21% em comparação com igual período de 2010. As vendas a retalho aumentaram 27%.
As vendas em alta sugerem que a Dior conseguiu limitar os estragos provocados pelo escândalo Galliano, despedindo-o imediatamente após o vídeo ter vindo a público. Desde então, o “braço direito” do criador britânico, Bill Gaytten, tem supervisionado as coleções, mantendo os “códigos” da casa de moda desde o vermelho Dior ao fato clássico justo na cinta.
Para a historiadora de moda Lydia Kamitsis, Galliano pode já não estar na Dior, mas a casa de moda está ainda a aproveitar «tudo o que ele trouxe em termos de produto, de imagem ou direção artística em geral». No entanto, os especialistas advertem que a casa de moda não pode continuar para sempre sem direção artística, sobretudo no que diz respeito à alta-costura.
Recuando algumas décadas, a Chanel continuou a vender fatos a um bom ritmo após a morte de Coco Chanel em 1971 – mas em termos criativos a casa estava num impasse até à chegada de Karl Lagerfeld 12 anos mais tarde.
«É possível estar sem um designer uma estação ou duas», acredita Serge Carreira, especialista no setor do luxo e professor na universidade Sciences Po em Paris. «Mas há um limite, uma marca tem de ser regularmente refrescada e renovada», acrescenta. Por agora, a Dior está a usar «a recompensa de um reposicionamento considerável feito a partir de meados dos anos 2000», construindo a identidade da marca e desenvolvendo-a internacionalmente, sobretudo na China. «Uma dinâmica que estava em curso bem antes da saída de Galliano», realça o especialista. O sucesso da carteira Lady Dior e do perfume J’Adore – um dos mais vendidos em todo o mundo – mostra que «a marca tem um motor».
Patricia Romatet, do Institut Français de la Mode (IFM), vê na pluralidade da casa da Dior cmo a sua principal força, como fica exemplificado pelas várias atrizes que dão a cara pela marca nas suas campanhas publicitárias. Charlize Theron oferece «uma ultrafeminilidade glamourosa», Natalie Portman «uma feminilidade mais consensual», Marion Cotillard traz «a sofisticação e a classe francesa» e a americana Mila Kunis «um toque de juventude».
Esta dferenciação da marca – apesar da falta de um designer – é também sinal de «trabalhadores altamente profissionais que mantém o negócio da empresa a florescer», considera Romatet, que sugere ainda que a Dior pode emergir mais forte deste hiato sem designer. «A pausa dá algum espaço para respirar e pode permitir tomar uma nova direção, começar de novo».
O designer belga vanguardista Raf Simons é atualmente apontado pela imprensa como o favorito para suceder a Galliano.
Já Galliano desapareceu, apesar dos melhores esforços dos paparazzi para o encontrarem. Afetado pelo que referiu ser uma dependência de álcool, drogas e medicamentos – que culpou pelos insultos que proferiu –, Galliano esteve em desintoxicação após ter sido despedido pela Dior. Fez uma breve aparição no julgamento em Paris, em junho, mas não ouviu a sentença em setembro, quando o tribunal o condenou a uma pena suspensa.
O designer surgiu ainda em julho, no casamento de Kate Moss, afirmando em declarações à Vogue que fazer o vestido da supermodelo tinha sido uma forma de «reabilitação criativa». «Ela desafiou-me a ser novamente John Galliano», concluiu.

Fonte: AFP