12 de jan de 2012

A&F ABALA SINGAPURA


Uma fila de homens vestidos apenas com umas calças desfilou no principal distrito comercial de Singapura, como parte de uma campanha de publicidade que revela não apenas músculos, mas também um mudança dos hábitos puritanos desta cidade-estado asiática.
 
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A&F abala Singapura
 A receção entusiasta à iniciativa da Abercrombie & Fitch em Singapura, tanto na rua como na internet, evidencia como a claramente conservadora cidade-estado mudou nos últimos anos, de acordo com os especialistas.
Várias mulheres chegaram inclusive a posar junto aos modelos da A&F para tirar fotografias, tocar-lhes no peito ou receber um abraço amigável. Os modelos, vindos expressamente dos EUA, Europa e Ásia tiveram como missão promover a loja do retalhista norte-americano em Singapura, uma campanha já utilizada pela marca de vestuário noutras regiões do globo.
«Não havia hipótese de tais anúncios um pouco mais ousados aparecerem há cerca de 30 anos atrás», afirma M. Thiyagarajan, um professor sénior na escola de negócios da Singapore Polytechnic. «Acho que, como sociedade, passamos para um nível diferente. Somos muito mais permissivos em relação a estas coisas.”
Thiyagarajan aponta a expansão da internet, educação e viagens ao exterior como fatores que têm ajudado a abrir a mentalidade em Singapura, que oficialmente ainda é uma sociedade tão rigorosa que a proibição de venda de pastilhas elásticas foi renovada em 2010.
No entanto, sopram ventos de mudança. Os teatros locais apresentaram recentemente peças que exploravam temas tradicionalmente polémicos, como a homossexualidade e a religião. Em outubro, a dançarina francesa Sylvie Guillem realizou um espetáculo que continha «algumas cenas de nudez da parte superior do corpo feminino».
No entanto, os conservadores de Singapura ainda fazem ouvir as suas vozes. Em setembro, a Advertising Standards Authority of Singapore ordenou que a Abercrombie & Fitch removesse um outdoor gigante que mostrava um tronco masculino nu, depois de várias pessoas terem reclamado que era muito atrevido.
«É provavelmente a resposta de uma minoria sonora, uma tempestade num copo de água, que iria aproveitar qualquer ocasião, mesmo que pequena, para dar o alarme», considera Tan Ern Ser, um professor associado do departamento de sociologia na National University de Singapura.
Os rececionistas sem camisa da A&F parecem, por enquanto, estar a colher uma atenção mais positiva do que negativa. «Acho que é uma forma muito eficaz de divulgar a marca e gosto do facto de ser uma campanha de exterior que ganhou vida própria online», revelou Cathryn Neo, consultora do recrutamento.
fonte: Reuters