9 de jan. de 2012

Luxo e austeridade em paralelo


A participação recorde na Black Friday, com dezenas de milhões de pessoas nos EUA, atraídas por promoções, a afluírem às lojas para iniciar as suas compras de Natal, poderia quase desmentir as dificuldades relatadas por muitos norte-americanos.
 
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Luxo e austeridade em paralelo
No retalho norte-americano, lojas como Kohl’s, Old Navy e JC Penney, registaram quebras de vendas em novembro, com os compradores a mostrarem-se mais frugais do que as imagens na televisão sugeriram, ao apresentar os tumultos no interior das lojas.
A National Retail Federation prevê que as vendas a retalho durante a época natalícia tenham aumentado 2,8%, ficando abaixo do aumento de 5,2% registado no ano passado. No entanto, as vendas em lojas de luxo, como Saks Fifth Avenue e Nordstrom, subiram ao longo do ano e as suas vendas de novembro – as vendas da Saks para igual número de lojas cresceram 9,3% – revelam sinais animadores.
O desemprego nos EUA caiu em novembro para os 8,6%, em parte porque muitos candidatos a emprego, simplesmente desistiram de procurar. O aumento no custo de alimentos e combustíveis está a contribuir para o aperto, restringindo o poder de compra de milhões e atrasando uma recuperação significativa nos gastos do consumidor.
Os retalhistas sabem como a situação é difícil para os compradores este ano. A Wal-Mart Stores, po exemplo, reintroduziu o seu programa “layaway”, depois de uma pausa de cinco anos. Até mesmo as pessoas que auferem um rendimento decente mostram-se prudentes.
Mas, no topo da crescente diferença de rendimentos, muitos norte-americanos estão a comprar como se fosse 2007. Na Black Friday, as lojas de luxo nas avenidas de Manhattan estiveram apinhadas, com pessoas a esperar várias viagens antes de conseguirem utilizar um elevador na loja da Tiffany na 5.ª Avenida. A cadeia de luxo Neiman Marcus anunciou ter vendido os dez automóveis Ferrari FF incluídos no seu livro de presentes de Natal, na categoria “fantasy gifts”, por 395.000 dólares cada.
Mas apesar de todos os relatos de recuperação no luxo, as vendas em cadeias como Saks permanecem abaixo dos níveis anteriores à crise financeira de 2008. Muitos norte-americanos abastados ainda não consideram que a economia esteja fora de perigo. «De qualquer forma, os milionários, responsáveis por quase metade das vendas de luxo nos EUA têm dinheiro suficiente para manter os seus hábitos de consumo, mesmo que os seus rendimentos caiam durante um ano», afirma Jean-Marc Bellaiche do Boston Consulting Group.
 
Fonte: Reuters

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