7 de abr de 2013

Japão com os olhos na China


 Ásia e os consumidores asiáticos, sobretudo os chineses, que têm especial apetência pelo luxo, estiveram no centro das preocupações dos designers presentes na última edição da Semana de Moda do Japão, numa visão refletida também nas propostas de Hiroko Koshino e Vivienne Tam. 

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Japão com os olhos na China
Couro, pelo e tecidos dobrados como um quimono juntaram-se numa fusão ousada, com a designer Hiroko Koshino a mostrar as suas capacidades aperfeiçoadas ao longo de décadas de rivalidade com as suas duas irmãs, ambas também designers numa família ligada ao mundo da moda há várias gerações.
A coleção de Koshino, “Memórias Florais”, foi um dos pontos altos dos últimos dias da Semana de Moda do Japão, que mostrou até ao dia 23 de março as coleções para o outono-inverno 2013/2014.
Koshino, aos 76 anos uma das mais internacionalmente conhecidas designers do Japão, apresentou flores e combinou os seus característicos tecidos drapeados e dobrados a fazer lembrar os quimonos tradicionais e padrões têxteis centenários com apontamentos de lantejoulas e cor-de-rosa.
Vestidos curtos em cores fortes foram conjugados com acolchoados, couro e toques de pelo. Acentuou vestidos em cinza soltos com ombreiras e luvas em pele até ao cotovelo. «Quis pensar no que é belo no mundo e isso são as flores. A minha versão de flores não é romântica mas é mais uma visão de arte», explicou. «Quis dar às roupas a sugestão de rebentos de flores a inchar, drapeados e redondos nos ombros».
Koshino é a mais velha de três filhas. O pai, alfaiate, morreu na II Guerra Mundial e a designer foi criada pela mãe, que detinha uma loja de roupa. A sua inclinação para a moda foi encorajada pela mãe, que promovia um ambiente competitivo em casa.
Todas as três irmãs – Hiroko, Junko e Michiko Koshino –tornaram-se famosas na indústria da moda, com Junko a desenvolver fortes laços com a China e Michiko a sediar-se em Londres. A sua história inspirou uma série de televisão do canal japonês NHK, que foi para o ar de 2011 a 2012.
A filha de Koshino, Yuma, é também designer e mostrou a sua marca Yuma Koshino a 22 de março.
Influência asiática«É sempre Ásia comigo. É uma idiossincrasia minha», afirmou Koshino. «Mas tento uma nova fusão do Este e do Ocidente», sublinhou.
A Ásia foi um tema central da Semana de Moda do Japão, com os designers a apontarem baterias para os consumidores chineses, que se tornaram os principais consumidores de luxo do mundo, representando um quarto do mercado mundial, segundo um estudo da consultora Bain & Co.
Embora o crescimento na China tenha abrandado no ano passado, a Bain ainda prevê um crescimento de 4% a 6% anual para o mercado do luxo até 2015. Em 2012, o mercado do luxo cresceu 10%, para cerca de 280 mil milhões de dólares (218,66 mil milhões de euros), sobretudo impulsionado pelos consumidores chineses.
No início da Semana de Moda do Japão, a chinesa Vivienne Tam apresentou uma coleção que fundiu as influências asiáticas com estilos modernos com imensos vermelhos reminiscentes do tradicional vermelho da China.
«Inspirei-me nos fundamentos conceptuais do movimento punk», revelou. «Questionar o status quo e celebrar a individualidade mas também unir outras identidades culturais, abraçar os paradoxos e essência da vida: yin e yang», acrescentou.
Vestidos vermelhos com painéis em couro que saem diretamente do ombro, enquanto outros tinham estampados de banda desenhada fizeram parte das propostas, assim como casacos com um toque de corte militar conjugados com calças pretas justas. A pele também apareceu proeminentemente, quer em camisas vermelhas ou pretas, quer em faixas para acentuar os vestidos. 
Fonte: Alexandra Costa