21 de abr de 2013

Moda australiana na linha


A Semana de Moda da Austrália revelou-se mais ousada nesta estação, transferindo os desfiles do porto de Sydney para o Carriageworks, uma zona de linhas de comboio desativadas. Uma mudança que mostrou a vitalidade e vanguardismo da moda neste país que não conhece a palavra crise. 

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Moda australiana na linha
Um perplexo funcionário da Australian Rail Corp envergando um colete de segurança está sentado num empoeirado vagão de comboio e observa um bando de jovens mulheres em saias curtas e saltos agulha a cruzar as profundas ranhuras de linhas de comboio num ramal desativado. Esta é uma das imagens que ficará na memória da mais recente Semana de Moda da Austrália.
A extravagância da moda australiana, que mostrou na semana passada (de 8 a 12 de abril) as coleções para a primavera-verão 2013/2014, está a ganhar maior destaque, com os grandes retalhistas a serem atraídos para uma economia que passou relativamente incólume pela crise financeira mundial.
A organização revelou que o evento, que teve lugar pela primeira vez em linhas de comboio desativadas no lado oriental de Sydney, acolheu quase 2.000 visitantes para ver 66 designers consagrados e emergentes num total de 52 desfiles.
O evento foi transmitido em direto pela primeira vez e Jarrad Clark, diretor de produção mundial da IMG, que organiza esta semana de moda, indicou que os desfiles estiveram perto da sua capacidade total. «Somos um país onde as pessoas vêm encontrar o despretensioso, o cool, o urbano e o chique», explicou Clark.
A marca local Manning Cartell, de Sydney, mostrou-se à altura da sua reputação de luxo-bruto, mostrando uma coleção futurista de tops metálicos curtos, calções formais e vestidos justos.
Mais de 20 mil pessoas de cerca de 77 países assistiram aos desfiles, refletindo o interesse na moda produzida por um país que tem experienciado duas décadas seguidas de crescimento económico.
Retalhistas australianos de moda de luxo como a Oroton e a Sass & Bide estão a registar vendas fortes juntamente com marcas de luxo internacionais como Louis Vuitton, Gucci e Chanel.
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A Austrália, que há muito tem reputação de estilo descontraído, aumentou o fator ousadia com a mudança do porto de Sydney para os carris desativados do lado oriental da cidade, renovada mas ainda pouco sofisticada.  
As manequins dos desfiles de designers como Christopher Esber, Alex Perry, Jayson Brunsdon, Easton Pearson e Christina Exie calcorrearam as passerelles rodeadas de paredes de cimento, condutas de ar condicionado e grelhas no chão.
Para designers como Exie, vencedora do Project Runway Australia, que apresentou a sua primeira coleção internacional, o novo ambiente adequa-se perfeitamente à estética moderna e despojada das suas coleções.
Mas nem toda a gente ficou satisfeita com a mudança para longe das vistas soberbas do terminal de passageiros estrangeiros do porto para o Carriageworks, as linhas ferroviárias desativadas que foram relançadas pelo governo como um espaço de artes e performances. «Circular Quay era melhor, havia mais buzz e uma atmosfera divertida», considera Caroline Cox, designer da linha de calçado Tilly Rose.
Houve também reclamações em relação à decisão da IMG de antecipar as datas do evento, que se realizava tradicionalmente em maio, e relatos de falta de compradores na feira Premiere, que decorre ao mesmo tempo que os desfiles na passerelle.
A IMG antecipou o evento para ficar mais adaptado aos prazos dos compradores e a outros desfiles em todo o mundo, mas muitos participantes afirmam que ainda não foi suficientemente cedo.
Kathryn Cizeika e a sua parceira de design Katie Freeman esperavam conhecer mais compradores internacionais para a sua marca Empire Rose e ficaram desapontadas pelos poucos visitantes que passaram no seu stand na feira Premiere. «Tivemos uma boa conversa com um potencial comprador chinês, mas tem estado lento», destacou Cizeika.
Fonte: Reuters