14 de mai de 2013

Punk mas belo não há


A nova exposição do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, mostra a influência do punk no mundo da moda, com as criações de Vivienne Westwood e Balenciaga a revelarem uma visão distinta do punk, menos anárquico e mais belo, ao som de bandas incontornáveis como Sid Vicious ou Sex Pistols. 
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Punk mas belo não há
Os roqueiros punk queriam anarquia. Acabaram com uma t-shirt de 565 dólares (cerca de 435 euros). Este é o resumo da história contada na nova exposição no Metropolitan Museum of Art (MET), em Nova Iorque, batizada exatamente “Punk: Caos to Couture”.
A exposição, que abriu na semana passada, traça a fusão pouco provável de um movimento conhecido por música primitiva, abuso de drogas e gritos contra os cânones sociais e o mundo cheio de brilho da moda de luxo.
A coleção nas salas elegantes do MET, a apenas uma galeria de distância das esculturas da Grécia Antiga, apresenta uma verdadeira cápsula do tempo sobre o deliberadamente destrutivo, muitas vezes autodestrutivo, género musical.
Videoclipes de Sid Vicious e outros roqueiros são exibidos em ecrãs gigantes. O ar enche-se de fragmentos de música e pérolas de sabedoria dos gurus do punk. Há mesmo uma réplica em tamanho real da casa de banho do famoso clube noturno de Manhattan, o CBGB, por volta de 1975. A sala fica preenchida com os Ramones a tocar nas colunas, um graffiti “Dead Boys Rule” e pontas de cigarros no chão – algo que já não se vê nos bares de Nova Iorque hoje em dia, livres de tabaco. O cheiro e, claro, as pessoas estão ausentes: não se enquadrariam no MET, mesmo que fossem autorizados a passar pela porta.
“Chaos to Couture” não é sobre o punk revolucionário, duro. É sobre o punk bonito, sobre como uma subcultura niilista morreu e depois voltou à vida numa passerelle. A exposição alega que o amor dos punks pelo low-cost e as suas declarações espontâneas de moda – como um rasgão numa t-shirt ou uma corrente de casa de banho como joalharia – estava em sintonia com a forma como os designers modernos trabalham.
«Numa reviravolta bizarra do destino, o seu modo de vida “faça você mesmo” tornou-se no futuro do “não-futuro”», como referem as notas da exposição. «Embora o etos punk possa parecer estranho em relação ao etos do feito à medida da costura, ambos são definidos pelo mesmo impulso de originalidade e individualidade», destaca.
Os manequins preenchem as galerias do MET, um a seguir ao outro, com vestuário de gama alta inspirado no punk. Um vestido de noite da Versace da coleção primavera-verão de 1994 exibe enormes alfinetes de dama. Um minivestido Balenciaga, drapeado com correntes, do outono-inverno de 2004, encontra-se perto de um vestido Givenchy em seda de chiffon rosa com fechos dourados, pertencente à coleção para a estação quente de 2011.
A cena parece longe da banda sonora da exposição, com as músicas dos Sex Pistols a clamar pela necessidade de “chocar as pessoas” e ser “obsceno e escusado quanto possível”. Contudo, como sublinha a curadoria da exposição, a comercialização e a moda nunca estiveram longe da experiência punk.
É atribuído ao lendário empresário Malcom McLaren o lançamento virtual do punk britânico a partir da loja Sex que ele e a sua sócia Vivienne Westwood geriam em Kings Road, em Londres. E ela tornou-se num dos ícones do design de moda.
Depois de uma dúzia de salas, a exposição do MET termina muito da mesma forma que o punk terminou: com uma loja de lembranças. Aí, o roqueiro punk dos tempos modernos pode sair com uma t-shirt Givenchy de 565 dólares decorada com um lettring ao estilo graffiti, ou então, por 100 dólares, com outra da própria Vivienne Westwood, simplesmente branca e com as palavras “climate revolution”. Se preferir pode levar um alfinete de dama de tamanho grande a pender de uma corrente por 165 dólares ou então um com pérolas, por 775 dólares.
Fonte: AFP