7 de mai de 2013

Colarinhos para todos


Inspirados nos anos 20 ou mais modernos, as opções de colarinhos e gravatas têm vindo a aumentar nos últimos anos, permitindo aos homens de negócios adaptarem o seu estilo ao “uniforme” que é o fato. A tendência, contudo, é revivalista, com os alfinetes de gravata e os colarinhos arredondados a voltarem em força.
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Colarinhos para todos
Quando a versão de Baz Luhrman do “The Great Gatsby” estrear nos cinemas americanos a 10 de maio e no Festival de Cinema de Cannes cinco dias depois, vários detalhes da moda dos anos 20 poderão regressar, ainda com mais força, aos guarda-roupas dos homens de negócio – uma esperança também mantida pela Brooks Brothers, que produziu os figurinos para o filme.
Excertos do filme, por exemplo, mostram Leonardo DiCaprio, na personagem do empresário Jay Gatsby, a usar colarinhos fechados com um alfinete de gravata. Mas a verdade é que, para alguns homens de negócios contemporâneos, o alfinete de gravata nunca desapareceu.
«Recentemente um jovem amigo perguntou-me para que servia o alfinete», revela Tom Ford, que tem 51 anos e durante mais de 30 anos usou um alfinete que passa no colarinho por baixo da gravata. «Simplesmente retorqui que era uma questão de estilo, como há várias formas de um homem usar acessórios», indica.
Com efeito, o que passa por baixo, pelo meio ou à volta do colarinho, assim como a forma do próprio colarinho, estão entre as poucas escolhas que os homens de fato podem fazer, mas podem criar uma grande diferença nas imagens que projetam.
Reconhecendo este facto, Ford incluiu nas últimas duas estações os colarinhos arredondados, uma relíquia dos anos 20 que está novamente na moda, no arquivo das formas tradicionais dos colarinhos da sua coleção epónima de moda para homem.
Não que o estilo de Jay Gatsby – que, tal como imaginado por F. Scott Fitzgerald, fez a sua fortuna em contrabando e venda de títulos roubados – seja um visual que funcione em todos os ambientes de negócio.
«Os colarinhos arredondados e os alfinetes são um pouco demasiado ousados para o sector financeiro, pelo menos em grandes bancos», considera Gregor Feige, banqueiro no Equity Capital Markets em Wall Street. «A maior parte das vezes é apenas uma questão de equilíbrio entre estar razoavelmente na moda sem atrair comentários no escritório», explica.
Além disso, com tantas opções de colarinho disponíveis (outras oferecidas por Ford, por exemplo, incluem pontiagudos, largos, estreitos, curtos, etc.) é preciso saber colocar a gravata certa com a forma do colarinho apropriada. «É importante destacar que alguns nós de gravata adequam-se a determinados colarinhos», sublinha Toby Bateman, diretor de compras do portal on-line de moda de homem MrPorter.com, sediado em Londres.
«Se trabalhar numa linha de negócio mais criativa, então pode ser mais relaxado com a escolha do colarinho e a forma como o usa», considera Bateman. Por exemplo, uma camisa com colarinhos pontiagudos com um nó de gravata americano é, na opinião do diretor de compras, «formal mas mostra que tem alguma individualidade». Se escolher usar um colarinho mais largo, por exemplo para «um encontro de negócios mais formal», Bateman sugere um nó duplo Windsor. O nó largo simétrico «enche suficientemente a largura do colarinho», aponta.
Contudo, o tamanho do nó Windsor diminuiu para alguns utilizadores. «A maior parte das pessoas em finanças usa apenas um nó simples Windsor numa gravata Hermès ou Ferragamo», afirma Gregor Feige. Isso, acrescenta, «é geralmente mais subtil do que o que se via nos anos 80», aludindo a uma altura em que camisas de corte quadrado, colarinhos largos e gravatas com grandes nós eram o normal.
Feige nota que as formas estão mais estreitas e há uma «sensibilidade mais europeia a vestir» no escritório.
Uma opinião partilhada por outros executivos cosmopolitas. «Pequenos colarinhos e gravatas mais estreitas funcionam para mim», indica Carlos Couturier, cofundador do Grupo Habita, uma cadeia mexicana de hotéis boutique com localizações em cidades em todo o México. «Tudo ficou mais estreito, até os nossos corpos», afirma Couturier, que supervisiona todos os novos desenvolvimentos de hotel, incluindo o primeiro em Nova Iorque, o Hôtel Americano, em 2011. Este homem de negócios escolhe proporções mais estreitas desenhadas por marcas europeias como Dior Homme, Jil Sander e Neil Barrett.
As mudanças nos colarinhos podem também ser atribuídas ao interesse cada vez maior dos homens no tamanho e ajuste das suas peças de vestuário. «A maior mudança no vestuário de homem nos últimos 10 anos foi o corte», considera Nick Wheeler, o fundador da empresa londrina de produção de camisas Charles Tyrwhitt.
Wheeler, que desenha camisas desde 1986, tem registado um aumento na procura de colarinhos mais pequenos. «O corte extra justo registou um rápido crescimento nos últimos anos», refere, «e agora reduzimos o tamanho dos colarinhos nessas camisas». Mas não é apenas um colarinho mais estreito que Wheeler está a sentir nas preferências dos seus clientes. A procura de colarinhos com alfinetes e colarinhos arredondados «aumentou dramaticamente».
Inevitavelmente, com o aumento da popularidade de algumas formas de colarinho, outras têm registado um declínio. A procura pelo chamado colarinho de Winchester, também conhecido como colarinho de contraste e sinónimo de uniforme dos homens de negócio dos anos 80, caiu nas últimas estações na Charles Tyrwhitt. Feige, o banqueiro de investimento, concorda. «Não uso colarinhos a contrastar e pessoalmente não gosto», afirma. «Parecem-me demasiado Gordon Gekko para mim», em referência ao protagonista do filme de 1987 “Wall Street” encarnado pelo ator Michael Douglas.
Por isso, como é que os homens de hoje devem tomar uma decisão executiva em relação a estas questões? «O meu conselho pessoal é que usem um colarinho de tamanho adequado e uma camisa formal para o cenário ou ocasião em questão», sustenta Bateman. «A não ser que seja italiano, em que é perfeitamente aceitável demonstrar “sprezzatura” – um certo desalinho pensado – que se manifesta através de uma gravata ligeiramente aberta ou um botão do colarinho desapertado», conclui.

Fonte: New York Times