8 de mar de 2012

Nova era na Benetton


A família Benetton deverá ser bem-sucedida na compra das restantes ações a acionistas minoritários – e posterior saída da Bolsa de Valores – após o parecer positivo de alguns especialistas na área das finanças. Mas dar a volta à empresa italiana, atualmente em dificuldades, não será a mais fácil das missões.
 
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Nova era na Benetton
 Tanto a Morgan Stanley, que aconselha os diretores do conselho de administração, como a HSBC, que aconselha os membros da administração independentes, indicaram que a oferta de 4,6 euros por ação oferecida pela holding Edizione, detida pela família Benetton, é justa, segundo o anúncio publicado no website da Benetton.
Dos oito analistas inquiridos pela Reuters, apenas três esperam que a família Benetton aumente a sua oferta, enquanto cinco não veem razão para melhorar o negócio, tendo em conta o preço das ações historicamente baixo que a Benetton tem neste momento, após uma década de vendas estagnadas e um mercado de valores italiano atingido pela crise.
As ações da Benetton, famosa pelas suas camisolas com cores vivas, estão atualmente ligeiramente acima dos 4,6 euros oferecidos desde que a proposta foi tornada pública no início de Fevereiro.
O relatório da HSBC era muito antecipado pelos analistas, que afirmavam que a recusa da oferta – um prémio de 6% sob o preço médio dos últimos 12 meses – podia atrair investidores estrangeiros. Com nenhum dos acionistas a deter mais de 2%, a oferta deverá agora encontrar pouca resistência.
Isso poderá representar, contudo, um negócio melhor para a família Benetton, que irá pagar 277 milhões de euros para ganhar o controlo total do grupo cujo valor de mercado caiu 40% em 2011, para cerca de 850 milhões de euros, longe dos 4 mil milhões de euros atingidos em 2000.
Mas depois de um quarto de século na Bolsa de Valores de Milão, a saída marca o fim de uma década difícil para a retalhista italiana, que foi muito atingida pela emergência de rivais mais flexíveis como a Zara e a H&M.
Entre 2000 e 2010, o volume de negócios da Benetton permaneceu quase inalterado, em cerca de 2 mil milhões de euros. Em comparação, as vendas na rival Inditex aumentaram quase cinco vezes no mesmo período, para 12,5 mil milhões de dólares.
Embora as suas campanhas publicitárias controversas tenham tornado o grupo famoso em todo o mundo, não conseguiu reduzir a sua exposição aos mercados europeus, que registaram crescimentos reduzidos nos últimos 10 anos.
Quase metade das suas vendas é realizada em Itália, onde os consumidores estão a sentir a crise da dívida da Zona Euro. A marca está agora a crescer na Índia, mas não conseguiu ainda disseminar-se na China.
«O que está a afetar a Benetton é a sua fraca performance na Ásia até agora, em comparação com outros retalhistas italianos», indicou um analista sedeado em Hong Kong. «As marcas “made in Italy” têm um enorme potencial de exportação junto dos consumidores abastados e que procuram refletir o seu estatuto na Ásia, pelo que é incompreensível que a Benetton não esteja a beneficiar desta tendência», sublinhou o analista. «A administração não deve estar a prestar atenção aos desenvolvimentos no mercado de consumo mundial nos últimos 10 anos», acrescentou.
Em comunicado, a Benetton afirma que a saída da Bolsa irá dar à administração uma maior flexibilidade no curto e médio prazo para reestruturar o grupo sem a pressão do mercado.
O grupo vai investir fortemente no portefólio imobiliário, abrindo novas lojas em localizações Premium para aumentar a sua visibilidade em mercados estratégicos, indica o documento, usando a liquidez do grupo e linhas de crédito. «Contudo, não podemos descartar que esta estratégia irá ter um impacto negativo na rentabilidade e perfil financeiro do grupo no curto prazo», acrescenta.
A oferta de compra, que foi aprovada pela autoridade de regulação do mercado Consob, decorre de 5 a 30 de Março.
A Benetton nomeou a Morgan Stanley como conselheira financeira e o gabinete Gianni, Origoni, Grippo, Cappelli & Partners como conselheiro legal.
 
Fonte: Reuters