1 de mar de 2012

O HOMEM PÓS- METROSEXUAL



Para as grandes marcas, a caracterização do homem do futuro é uma questão fundamental nas vendas. Em 1994, o termo metrossexual, abreviação de heterossexual metropolitano, foi cunhado para descrever uma raça emergente de homem: urbano, solteiro, sofisticado e pronto a gastar para ter uma boa aparência.
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O homem pós-metrosexual
 Para descobrir o que está reservado ao crescente mercado de estilo de vida masculino, a empresa de consultadoria de tendências Peclers Paris analisou o mundo à procura de comportamentos do consumidor, arte, cinema, design de produtos de alta tecnologia e o crescimento das redes sociais. Emma Fric, diretora de investigação e previsão, apresentou uma série de retratos do homem urbano no seu habitat pós-industrial do século XXI, da Europa aos Estados Unidos, passando pelo Japão e América Latina.
Primeiro existe um grupo com idades entre os 15 e os 30 anos, uma geração interligada que cresceu na era da internet. «Estamos a lidar com uma geração de homens que realmente abraçam a flexibilidade como modo de vida», explica Emma Fric. Muitos terão carreiras caracterizadas como “freelancers” polivalentes, como músico/designer/consultor. Os seus gostos são igualmente diversificados, com uma abordagem de mistura de culturas em relação à moda e à estética. E, tendo crescido com jogos de computadores, eles esperam divertir-se como consumidores.
Como o “metrossexual”, estes jovens estão dispostos a gastar dinheiro num fato, num esfoliante para o corpo ou na mais recente engenhoca tecnológica, mas esta é também uma geração que não se leva demasiado a sério. O humor é uma parte importante do conjunto: o gosto pela brincadeira absurda e a autodepreciação cómica, ao estilo dos clipes que são frequentemente virais no Facebook ou no YouTube. Como os jovens ao longo dos tempos, desafiam o sistema, mas acreditam numa mudança por dentro, usando novas formas de consumo, como grupos de compras para que as marcas ouçam as suas preocupações.
Depois existe uma segunda família de homens – geralmente mais velhos, muitas vezes mais abastados – que cultivam o gosto singular, valorizam os valores e o luxo tranquilo. «Estes são os homens que dizem: O mundo em rede é muito bonito, mas e a minha vida privada? A individualidade?», refere.
Muitos vão ser anticonformistas, com «uma margem subversiva, que não se encaixa no molde», afirma Fric. Alguns vão prosperar com a ideia de anonimato, de recriar o sigilo num mundo onde tudo está em exposição, uma tendência refletida pela influência de artistas de rua anónimos como Banksy ou o sombrio grupo de hackers on-line “Anonymous”.
«Menos é mais» é o lema para estes homens, que procuram formas escondidas de aumento de desempenho, em vez de designs chamativos. Para responder a esta procura, está a surgir uma oferta crescente de roupas e produtos personalizados com as novas tecnologias, como imagens corporais 3D a tornarem acessíveis os produtos feitos por medida a um público muito mais vasto.
Finalmente, chega o homem empenhado na reconciliação entre a natureza e a sociedade moderna. «Este é um tipo de masculinidade reforçada por uma dimensão espiritual – através de uma ligação com o mundo natural», indica. Entre os sinais desta filosofia incluem-se a tendência MovNat, a espalhar-se dos Estados Unidos para a Europa, que exorta os homens – e as mulheres – a estarem em forma movendo-se como animais, subindo a árvores com os pés descalços ou dependurando-se de cabeça para baixo.

Fonte: AFP