7 de dez de 2011

LUXO DERROTA MASSAS


Enquanto a alfaiataria britânica para o mercado de massas está a enfrentar uma crise de aprovisionamento no exterior, à medida que os produtores chineses se concentram no mercado interno e os custos continuam a subir noutras origens, a alfaiataria de luxo “made in England” conhece o sucesso global.
 
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Luxo derrota massas
Organizado pela ASBCI (Association of Suppliers to the British Clothing Industry), em meados de Outubro, o seminário “Suits you! - Industry trends in contemporary tailoring”, reuniu os dois extremos da alfaiataria para discutir o futuro do sector no Reino Unido.
Para a Wensum Tailoring, sedeada em Norwich, transferir a produção para a China em 2005 trouxe algumas vantagens iniciais, especialmente na mão-de-obra de baixo custo. Mas a situação alterou-se. Enquanto na altura a China exportava 70% do seu produto de alfaiataria para a UE, EUA e Japão, esta proporção caiu para os 30%. E à medida que os consumidores chineses se tornaram mais aspirantes, a produção interna adaptou-se para responder às suas necessidades.
Esta situação levou a pagamentos adiantados para garantir espaço de produção e deu também origem a problemas de qualidade, na medida em que a produção é subcontratada a fábricas anónimas, mais pequenas e com uma dependência excessiva nas horas extraordinárias. «Marcas e retalhistas estão a perder o controlo do processo», alertou Jaspal Calotier, director-executivo da Wensum Tailoring.
Além disso as aspirações dos pais chineses estão no sentido de ver os filhos direccionados para as indústrias de serviços, tecnologias e automóvel, forçando um aumento dos salários no sector do vestuário.
Apesar do passo óbvio ser a mudança da subcontratação para outras origens, mesmo países como o Bangladesh estão a registar escassez de mão-de-obra. Esta situação contribuiu para um salto de 87% nos custos laborais. A Índia, por sua vez, tem problemas de legislação laboral e a economia “não facilita” as empresas ocidentais. «Face ao aumento dos custos de frete e às flutuações nas economias globais, qualquer empresa ainda a funcionar com base no exterior deveria considerar as alternativas», defendeu Calotier.
A Wensum está a procurar trazer a sua capacidade de produção de volta para o Reino Unido, onde ainda tem o seu equipamento de produção. Tempos de resposta mais curtos, produtos de melhor qualidade, transparência na cadeia de aprovisionamento e os benefícios da etiqueta “made in England” estão a orientar as ambições da empresa.
Nathan Helfgott, director-executivo na AAK Limited, produtora de vestuário exterior e alfaiataria masculina, acredita que «valor por qualidade, não o ser barato, é o principal motor no mundo do retalho da alfaiataria». Como fornecedor da Marks & Spencer, que vende mais de 20% de todos os fatos de pronto-a-vestir no Reino Unido, Helfgott refere que o retalhista está na vanguarda da inovação para o sector da alfaiataria. Em 2001 lançou o primeiro fato de lã lavável, que foi seguido em 2004 pelo primeiro resistente ao vinco para viagens. Mais recentemente, acrescentou o fato Stormwear repelente à água.
Por outro lado, os recentes aumentos no preço das matérias-primas, especialmente da lã, têm impulsionado os fornecedores a experimentar novas misturas. O resultado é um ressurgimento das misturas poliéster/viscose, que têm ajudado as marcas e retalhistas a manter os seus preços baixos.
A inovação é também fundamental na alfaiataria Huntsman, localizada na tradicional Savile Row, onde a atenção aos detalhes e à “excelência do vestuário” têm ajudado a manter a sua posição como um dos melhores alfaiates da Grã-Bretanha.
Para perpetuar as competências e valores fundamentais da alfaiataria, a Savile Row Bespoke Association foi criada em 2004 para proteger e desenvolver a arte da alfaiataria sob medida. No âmbito das suas actividades, criou uma academia para realizar dois estágios profissionais de alfaiataria em conjunto com o London College of Fashion, para que os jovens alfaiates possam aprender o ofício com os mestres.
Para a Uman, empresa italiana de alfaiataria, a focalização no vestir ajudou a transformar a sua linha de pronto-a-vestir numa realidade comercial e de enorme sucesso, centrando-se na forma dos seus fatos. Ed Gribbin, presidente da Alvanon, empresa especializada na forma do vestuário, explicou como ajudou o fundador e presidente da Uman, Umberto Angeloni, a encontrar o perfil do consumidor alvo da linha de fatos de pronto-a-vestir da marca italiana. Para chegar ao perfil ideal, a Alvanon recorreu à sua base de dados com mais de 300.000 scans 3D do corpo de consumidores.
fonte: just-style.com