1 de jun de 2013

A galope para a passerelle

O estilo equestre está a migrar dos picadeiros para a passerelle, com muitas marcas de luxo, como a Hermès, a Gucci ou a Hunter, a recuperarem a sua história e a transporem para as suas linhas o espírito campestre, respondendo a uma procura crescente por parte dos consumidores por este estilo de vida. 
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A galope para a passerelle
Longe dos vestidos inapropriadamente brilhantes e saltos vertiginosos que pisam a relva durante eventos como a corrida de cavalos Grand National (em Liverpool), várias marcas de luxo estão a sentir um renascimento de um estilo estético equestre mais autêntico.
As marcas com fortes ligações aos cavalos, da Hermès e Gucci aos históricos nomes britânicos como Swaine Adeney Brigg, Hunter e Tanner Krolle, estão a registar um aumento súbito nas vendas, sobretudo na Ásia e no Médio Oriente, onde a autenticidade e origem são valorizadas. Como resultado, o classicismo equestre está de novo no radar do estilo.
«Apesar de muitos consumidores não serem eles próprios cavaleiros, é o que as linhas inspiradas no desporto equestre representam que os atrai, querem comprar o estilo de vida», sustenta Honor Westnedge, analista de retalho na empresa de pesquisa de mercado Verdict.
«Os cavalos sempre foram símbolos de poder na história e na literatura», concorda Lucy Cleland, editora da revista mensal britânica Country & Town House. «O uso perfeito do couro, o corte e o seu lado prático tornam o estilo inspirado na cavalaria sensual e intemporal».
Tal como sublinha Pierre-Alexis Dumas, diretor artístico da Hermès, na introdução do Le Monde d’Hermès, uma brochura para a primavera-verão produzida pela marca de luxo com inspiração equestre, «o cavalo, afinal de contas, foi o primeiro atleta vestido pela casa». Fundada em 1837 em Paris para equipar os homens e mulheres nobres com arneses, freios e selas para carruagens, a Hermès reflete estas tradições com a sua atual campanha publicitária “A Sporting Life”.
A marca italiana de luxo Gucci, fundada por Guccio Gucci em Florença, em 1921, e especializada em malas para os aristocratas, regressou nos últimos anos ao mundo equestre, recrutando Charlotte Casiraghi, de 26 anos, que faz salto a cavalo e tem como outras credenciais ser a quarta em linha para o trono do Mónaco, como cara da marca. Vestida num guarda-roupa equestre clássico criado por Frida Giannini, com lenços em seda usados como pulseiras, Casiraghi capta o ideal atual, tal como a sua mãe, a princesa Carolina, nos anos 70 e a sua avó, Grace Kelly, nos anos 60.
Em novembro do ano passado, a Gucci lançou uma nova coleção equestre de 15 peças, caracterizada por modelos clássicos da casa de moda, como as faixas com riscas verde-vermelho-verde. Embora as gabardinas e a capa de montar em veludo possam ser usadas enquanto sentado na sela em couro Guccissima (a marca ainda produz selas), não ficarão descontextualizadas fora do picadeiro.
O mesmo se aplica às galochas Hunter – uma pechincha de cerca de 100 euros, em comparação com as da rival francesa Le Chameau, preferidas por Kate Middleton e pelo Príncipe Harry, que podem custar mais de 400 euros –, que ficam tão bem à chuva no bairro mais trendy da cidade como nos estábulos.
«Os nossos leitores tendem a passar a semana na cidade e irem para o campo no fim de semana. O campo está agora na moda e dita muitas vezes as tendências de passerelle», sustenta Cleland. «O nosso primeiro suplemento “Desportos de Campo” no inverno passado juntou Elie Saab com Really Wild (uma marca apreciada pelos Middletons) e Alberta Ferretti com a especialista em armas William & Son, mostrando como as casas de moda e as marcas de desporto tradicionais podem funcionar juntas», acrescenta.
Honor Westnedge considera que, tal como as marcas de luxo estão a satisfazer a procura por um estilo equestre no topo do mercado, a tendência está também a revelar-se em segmentos mais baixos, como o médio, como prova a Joules, uma marca de vestuário de campo à venda na flagship de Londres da Topshop assim como nas suas lojas próprias.
«É vital continuar a trazer novidade para a marca», acredita John O’Sullivan, da Tanner Krolle, uma marca de luxo britânica fundada em 1956 por Frederic Krolle, a segunda geração de uma família especialista em selas. «O maior interesse dos homens por moda teve um grande impacto na empresa, com o negócio de artigos em pele de luxo para homem a crescer 14% em três anos, em comparação com o crescimento de 8% no vestuário de senhora», refere.
Embora as malas pesadas se estejam a transformar em capas em pele suave para iPads, a Taner Krolle continua a incorporar os mesmos acabamentos de freio que usava há 150 anos.
O mundo do design de interiores está também a apanhar a popularidade do chique equestre. Em 2010, Cara Walisnky, cavaleira há muitos anos, lançou a Deux Chevaux, a primeira marca americana de lifestyle equestre, que até incorpora aromas relacionados com cavalos nas velas. «Nem toda a gente tem o tempo ou recursos para perseguir um interesse em cavalos, mas achei que seria fantástico se todos pudessem cheirar a doçura do palheiro e saborear o calor de um cobertor do estábulo numa noite fria de inverno», justifica Walinsky.
Fonte: Financial Times