5 de mai de 2012

Revolução na moda africana


Os designers de Africa estão rapidamente a redefinir os estilos que emergem do continente, desafiando estereótipos e indo além dos clichés dos estrangeiros de como os africanos se vestem, ao mesmo tempo que começam a afirmar-se no panorama internacional.
 
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Revolução na moda africana
 Sem abandonarem as suas raízes, os designers africanos há muito abraçaram novas ideias e continuam a expandir-se, espalhando a sua influência por todo o mundo, ao mesmo tempo que se mantêm em sintonia com a evolução dos gostos em África.
«O designer africano e a moda africana no geral está a mover-se numa direção mais mundial», considera Tsemaye Binitie, um designer nigeriano sedeado na Grã-Bretanha que lançou a sua marca epónima há dois anos. «Estamos a fazer um trabalho mais contemporâneo, com um toque mais mundial», acrescenta.
Influenciados pelas tradicionais longas saias envolvidas à volta do corpo, blusas a combinar e a espécie de turbante usado pelas mulheres, os designers estão a criar jumpsuits justos ao corpo ou saias lápis mini nos muito adorados tecidos ankara, estampados com cores ousadas e designs enérgicos, anteriormente conhecidos como tecidos Dutch Wax.
A sua mensagem é direcionada para aqueles cuja única perceção do continente está ultrapassada: o estilo e criatividade africanos vão bem além do que é muitas vezes mostrado nas televisões ocidentais.
Uma recente semana de moda na maior cidade da Nigéria, Lagos, colocou estas tendências – e diversidade – à mostra. Mais de 70 designers participaram no evento, incluindo alguns de fora de África.
As coleções africanas nesta semana de moda incluíram uma sugestão do tradicional com um toque moderno – uma abordagem que se mostrou bem sucedida dentro e fora de portas.
Vestidos em tecido ankara foram adornados com pedras preciosas ou lantejoulas, enquanto os tecidos com estampados animais ou temas tribais foram usados para os colarinhos em fatos clássicos.
«Os designers africanos definitivamente amadureceram», considera Penny McDonald, organizadora do evento conhecido como Arise Magazine Fashion Week. «Os designers escolhidos criaram todos modelos africanos criativos, contemporâneos e usáveis que são suficientemente comerciais para chegarem aos mercados internacionais», acrescenta.
Os estampados tradicionais africanos estão também a mudar com os tempos. «Em Banguecoque, as pessoas adoram-nos porque é algo diferente. É algo de novo. É algo vibrante», explica Maureen Ikem Okogwu-Ikokwu, uma designer nigeriana sedeada na Tailândia. «Agora somos muito mais apreciados. As pessoas olham para nós e respeitam-nos», afirma.
A designer da Costa do Marfim Loza Maleombho foi uma das poucas que mostrou uma coleção feita exclusivamente de têxteis tradicionais africanos, nomeadamente seda entrelaçada colorida e tecido em algodão kente do Gana e do seu país natal. Os modelos pisaram a passerelle com as cabeças envoltas em turbantes castanhos, a lembrar os usados pelos nómadas tuaregues. «Foi inspirada na África Ocidental», revela.
Maki Oh, outro designer nigeriano, mostrou peças de moda de rua africana sensual com calças largas sugestivas de fatos masculinos agdaba feitas de aso-oke – um tecido tradicional.
«África é um novo centro emergente de moda. A Europa e a América estão bastante saturadas em termos de moda. Se pensar em Prada e Gucci, há quase uma em cada esquina agora», afirma o designer sul-africano Malcom Kluk. Se alguém estiver à procura de novas fronteiras na moda, «talvez África seja isso», acredita.
À medida que o interesse em designers africanos cresce, alguns têm ainda de lidar com difíceis condições de trabalho que levaram outros a transferirem o seu negócio para bases no estrangeiro. Problemas de infraestruturas como a falta de eletricidade consistente têm perseguido os designers em países como a Nigéria. Outros têm de lidar com problemas de direitos de autor, uma vez que muitos países africanos não têm leis que abranjam a indústria da moda.
Nkwo Onwuka, uma designer nigeriana sedeada na Grã-Bretanha, desenvolveu um subterfúgio para derrotar as cópias. «É apenas preciso estar um passo à frente e criar o seu próprio estilo, tentar fazê-lo de uma forma que ninguém copie e, mesmo que tentem, não seja o mesmo», conclui.
Fonte: AFP