13 de ago de 2015

É PARA O MENINO E PARA A MENINA

É PARA O MENINO E PARA A MENINA


HugoCosta_009_0HugoCosta_069HugoCosta_077O jovem designer Hugo Costa deixou definitivamente de lado as considerações de género e está a afirmar o carácter unissexo da sua marca epónima.
Desde cedo, Hugo Costa, formado na Esart – Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco e sediado em São João da Madeira, instituiu que as suas criações teriam um look mais andrógino, mas só em outubro do ano passado, com a coleção para a primavera-verão 2015, decidiu aventurar-se com coordenados femininos. Seis meses depois, a coleção para a próxima estação fria foi mais longe. «O conceito base foi assumir a marca, cada vez mais, como um projeto unissexo. Com muito poucas formas especificamente de mulher, mas mostrando que volumes e peças, não sendo usados da mesma maneira, funcionam nos dois géneros», explica Hugo Costa. «Ou seja, é a estética acima da pessoa, a estética como o pressuposto principal da marca. Não tem género, o que torna o mundo maior», acredita.
“Nomad Coat” foi, por isso, uma coleção pensada para ser usada tanto por homens como por mulheres. A coleção, que foi apresentada na passerelle principal do Portugal Fashion, foi beber inspiração à forma como os nómadas tibetanos usam os seus casacos. «Eles têm uma abordagem, quer às matérias-primas, quer à utilização das peças, muito pouco provável. O casaco para eles não é só um casaco: é o abrigo, é o transporte da ferramenta, ajuda na caça…», destaca. Também nos seus designs, o casaco é mais do que um casaco, transformando-se, por exemplo, em vestidos quando usados por uma mulher. A base, contudo, continua a ser o vestuário clássico, como o sobretudo, o que se reflete nas cores, sóbrias, e nas matérias-primas, como lãs, misturas lã/Çeramica e caxemira, que reforçaram a necessidade de conforto. «Foquei-me claramente na procura de materiais que me transmitissem ideais de vestuário clássico», afirma o jovem designer.
A introdução do segmento de senhora, que, embora mantendo a estética, exigiu outras adaptações, está a levar a uma reestruturação da marca. «É muito importante reorganizar a estratégia comercial», considera Hugo Costa. «Estou também em fase de reflexão sobre o mercado online e a estudar outras opções», confessa.
Para já, a distribuição da marca está concentrada em Portugal, apesar do jovem designer – que esteve presente, pela primeira vez, na última edição do International Fashion Showcase, em Londres (ver Energia para florescer) – ter as suas peças à venda igualmente em Berlim e na Suécia. «Tenho ainda manifestações de interesse de outros mercados e encomendas para confirmar, pelo que esta coleção pode vir a estar noutros países», revela.