16 de ago de 2015

Denim em ofensiva sustentável

São necessários mais de 11.000 litros de água para fabricar um par de jeans, aos quais acrescem químicos, energia e força laboral essenciais à produção. Por último, cada indivíduo tem, em média, sete jeans, o que reforça a escala do problema de sustentabilidade associado à produção.
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Denim em ofensiva sustentável
Tendo em mente a questão da sustentabilidade e considerando a tendência emergente do denim, as empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de implementação de práticas e tecnologias sustentáveis nas suas cadeias de aprovisionamento.
Várias empresas estão já a desenvolver tecnologias e processos que permitam reduzir o impacto da produção de denim sobre o meio ambiente e saúde dos trabalhadores da indústria. Gradualmente, estas unidades produtoras dedicam-se à criação de fibras mais ecológicas, assim como corantes que necessitam de uma menor quantidade de água e produtos químicos mais seguros.
Reduzir o consumo hídricoNão se limitando apenas à adoção de fibras mais sustentáveis, o desafio de produzir um método de tingimento que reduza o consumo de água é também uma prioridade.
A empresa Archroma, especializada em químicos, afirma estar a desenvolver um corante cuja utilização permitirá a redução do consumo de água em 92%. Até ao momento, o maior consumo de água ocorre na fase de lavagem (93%), sendo necessário um consumo adicional no processo de secagem do fio, através de um método de vaporização (1%). No total, são consumidos cerca de 100.000 litros de água, em 10.000 metros de fio.
«Idealmente, a água deveria voltar à sua origem e estar inserida num circuito fechado. Temos de tratar essa água e devolve-la à natureza», afirmou Miguel Sanchez, diretor global da linha de produto da empresa, especializado em corantes especiais.
O desafio, porém, assenta na elevada quantidade de água necessária, a sua qualidade e os poluentes que contém. «Existe uma forte procura por denim e está a crescer», reconhece Sanchez. «A disponibilidade e qualidade da água é um problema. E quanto ao futuro do denim? Se fizermos as coisas bem, e agora, não existe razão para que o denim não possa durar muito. Somos todos responsáveis por que isto aconteça».
Sanchez acredita que há uma série de ações que podem ser tomadas a fim de compensar o gasto de água, ou pelo menos minimizar o seu impacto. Entre elas, destaca a utilização de corantes e químicos completamente biodegradáveis, a implementação de um processo que garanta maior solidez, diminuição do número de lavagens, reciclagem de todos os elementos do processo e, eventualmente, substituição dos corantes.

Tintura índigoEm acréscimo à reciclagem da água integrada no processo de tingimento, uma das prioridades da indústria passa, também, pela redução do uso de químicos, sal e de hidrossulfitos de sódio presentes no processo de produção de denim.
A indústria do denim utiliza, atualmente, cristais reduzidos de índigo no processo de tingimento ou, o menos sustentável, pó de índigo, que tem de ser reduzido nas através de uma solução alcalina de hidrossulfito de sódio.
Thorsten Huls, diretor global do segmento de denim do grupo DyStar, refere que o processo representa um perigo para a saúde humana devido ao trabalho laboral envolvido e à exposição aos detritos.
A solução “Indigo 40% VAT” utilizada pela empresa, constituiu uma solução pré-reduzida de índigo líquido, que permite uma produção de denim mais ecológica e a redução da utilização de hidrossulfitos de sódio em cerca de 60% a 70%. Significa, também, que os trabalhadores nunca estão em contacto com a solução pelo que é um processo mais seguro.
No entanto, Huls indica que cerca de 70% do mercado global de denim usa ainda pó de índigo, com a China a liderar a sua utilização. A barreira para a implementação de um novo processo, aponta Huls, prende-se com a relutância dos fabricantes em substituir o processo tradicional.
Desperdício de águaA EColoRO Watertreatment Solutions dedica-se à reutilização e redução do desperdício de água. O CEO Berry Degens reconhece que um dos desafios da indústria é descolorar as águas residuais. O conceito desenvolvido pela empresa garante um desperdício quase nulo dos líquidos residuais e baixos custos de energia associados.
O processo envolve uma inspeção inicial de otimização da fábrica, que pretende detetar onde a água é utilizada; um agente descolorante é depois adicionado previamente à remoção dos resíduos. Não são utilizados químicos no processo de tratamento da água e este pressupõe gastos de energia reduzidos, maior eficiência e, consequentemente, custos mais baixos.
«A nossa visão é implementar a reutilização de água na indústria têxtil. Construímos projetos piloto na Turquia e estamos agora a estudar para a Europa um projeto de larga escala». A empresa está também em negociações para ensaios em empresas na Turquia, Paquistão, Bangladesh, Índia e Líbano.
A produção de um artigo mais sustentável pode, frequentemente, aumentar o seu custo e as empresas mostram-se relutantes em passar essa responsabilidade para o consumidor que, afirma Sanchez, está apenas disposto a pagar até 79% mais por um produto sustentável.
«Temos de transmitir a mensagem ao consumidor final», acrescenta. «Ele tem de saber o quão complicado é produzir jeans. Os consumidores começam a perceber mas temos de acelerar [o processo] e as marcas e os retalhistas são o rosto do denim. A sua função é transmitir a mensagem», conclui.

Fonte: just-style.com