10 de set de 2013

Camisa Polo: Toda Moda tem uma História. Toda História pode vir a ser Moda!

CAMISA POLO


Hoje tive uma discussão interessante com alguns colegas de trabalho sobre um tema do meu conhecimento:  camisa pólo. 
Alguns apenas a chamam de pólo , outros não a consideram camisa e sim blusa. Para conhecer a trajetória deste produto usado por muitos homens e que  já a algum tempo também conquista as mulheres  fiz uma pesquisa de sua trajetória.

Eu a considero camisa, não por conta da gola. Independente de ser totalmente aberta ou não, toda peça que possui vista frontal  ( peitilho) com ou sem botões é considerada camisa.
Na moda isto é bem relativo, porque tudo se reinventa. Nomes , cores  e a forma de olhar de cada estilista. Mas camisa é camisa. E a pólo a meu entender é uma camisa.
Trabalhei há muitos anos na  criação e fabricação destes modelos, tanto para uso masculino, feminino, onde os maiores compradores eram esportistas, seleção de pólo masculino e feminino (esporte que utiliza cavalos nas disputas) , jogadores de tênis e homens e mulheres que tem por estilo  se vestir informalmente  , mas de forma elegante, nos momentos de lazer.
A camisa foi inventada em 1926 ,  pelo jogador de tênis, Jean René Lacoste (Le Crocodile), de onde vem o logotipo da marca francesa Lacoste.
Lacoste foi o principal responsável pela primeira vitória de seu país na Taça Davis e colecionou títulos nos famosos torneios de Roland Garros, Wimbledon e Forrest Hills.
O apelido foi dado pela  agência de notícias Associated Press, quando  ex-jogador de tênis René Lacoste apostou que faria um bom jogo com o capitão da seleção francesa, durante a tradicional Taça Davis em 1923. O prêmio seria uma mala, confeccionada com pele de crocodilo.
Mais do que a mala envolvida na aposta, René ganhou o apelido do próprio animal. Seu amigo ilustrador, Robert George, desenhou-lhe então um crocodilo que foi bordado no blazer que usava nas quadras de tênis.

O tenista gostou tanto da “brincadeira” que mandou confeccionar para seu uso pessoal um lote de camisas em algodão com uma malha ventilada e confortável, produto que virou a sua marca registrada.
Lacoste achava que as camisas com colarinho duro e gravata  usadas   para praticar tênis na época , eram  pesadas e desconfortáveis,  eram incômodas camisas de estilo clássico, em tecido tramado com duas teias, de mangas compridas. 
Já as suas confortáveis camisas pólo, ele  usava  com a gola levantada a fim de evitar as queimaduras de sol. Somente quando a camisa se popularizou  que as golas passaram a serem usadas abaixadas.




Ao jogar o US Open, Lacoste apareceu com um pulôver de mangas curtas de algodão branco e colarinho  que fez tanto sucesso que logo começou a ser usada pelos outros tenistas.


O amigo Robert George desenhou então para René um crocodilo que foi bordado na camisa que ele usava nas quadras de jogo. A camisa, em algodão com malha arejada e confortável, absorvia perfeitamente a transpiração em climas mais quentes, tinha mangas curtas com gola e pequenos botões que iam do pescoço ao peito, e, era usada juntamente com um blazer azul-marinho, também desenhado por ele e com o símbolo do crocodilo. O uniforme inusitado apareceu pela primeira vez no Torneio Aberto dos Estados Unidos. Uma das espectadoras mais assíduas destes encontros esportivos da Copa Davis era a vencedora do aberto de Golfe da Grã-Bretanha, Simone Thion de la Chaume, que se tornaria esposa de René. 
Pouco anos depois, aos 25 anos, ele abandonou as quadras por causa de uma tuberculose e em 1933 em parceria com o fabricante de malhas André Gillier, o ex- tenista  Lacoste  começou a fazer confortáveis camisas de malha para a prática do tênis e carimbá-las com o simbolo do crocodilo  que um dia lhe deu muita sorte.  
Foi a primeira vez que uma marca estampou sua etiqueta do lado de fora da roupa, tornando o logotipo visível. Essa primeira camisa foi batizada de LACOSTE L.12.12 (L representa LACOSTE, 1 é uma referência ao tecido original de algodão petit piquê, 2 significa a manga curta e o segundo 12 se relaciona com o número de protótipos que tiveram que ser produzidos até René ficar satisfeito com o resultado, dando uma perspectiva única sobre o sentido de perfeccionismo e abordagem de transmissão do desenho do campeão). A camisa era confeccionada em um tecido leve e fresco, que proporcionava mais conforto e resistência. A primeira camisa LACOSTE era branca, ligeiramente mais curta que as atuais, de mangas curtas, com colarinho de bordos cortados, confeccionada em um tecido emblemático, jérsei de piquê miúdo, e um crocodilo verde bordado na altura do coração.



Rapidamente as camisetas pólo LACOSTE desbancaram as tradicionais camisas de colarinho duro, vendendo aproximadamente 300 mil unidades em 1939. A qualidade da malha – leve, flexível, ventilada – e o desenho inovador. O algodão, proveniente do Egito, dos Estados Unidos e do Peru, o processo de elaboração do fio e a exigência de qualidade da fibra mostravam um pouco da importância do produto. Nesta época a empresa investiu no progresso e crescimento das vendas junto ao consumidor. Durante um bom tempo, ele só produziu camisas brancas, com um catálogo direcionado exclusivamente para tênis, golfe e iatismo. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a empresa interrompeu a produção, retomando suas vendas ao mercado somente em 1946.
As exportações começaram em 1951 para a Itália, assim como a comercialização das versões coloridas das tradicionais camisas pólos. Celebridades adotaram a nova moda. Audrey Hepburn eternizou a dobradinha com calça capri. Jackie Kennedy usava dentro e fora das quadras. No ano seguinte a marca ingressou no enorme mercado americano com o início da exportação de seus produtos para o país. 





A partir do ano 2000 a LACOSTE se modernizou e ganhou um tom mais jovial, contudo sem perder a elegância e a identidade. Suas famosas e clássicas camisas pólo, um verdadeiro ícone da marca, também: novas cores foram criadas, a modelagem ficou mais estreita, mais justa e curta, ganhando até modelo estonado. O tecido diferenciado proporciona mais conforto, leveza e uma real liberdade de movimentos para quem veste a camisa pólo LACOSTE. O material possibilita também uma maior criatividade e permite conceber uma linha mais atual. Atualmente as camisas pólos são vendidas em mais de 60 cores.



Depois de tantas pesquisas , a famosa pólo é considerada camisa,  e não blusa, podendo ter golas em sarja ou retilínea, proporcionando a informalidade e conforto com bom gosto.   Este ano o produto completou 80  anos de mercado .
Além da Lacoste, empresas como Ralph Lauren, Tommy Hilfilger, se tornaram mestres na confecção deste produto, tornando o mercado de moda das famosas camisas, cada vez mais competitivo.





Um beijo a todos.

Kris Melo