17 de set de 2013

A próxima fábrica do mundo?

O sector de vestuário indiano registou evoluiu com a integração a montante ao longo dos últimos cinco anos, mas deve continuar a reorganizar-se para melhor beneficiar dos seus pontos fortes. Se a Índia prosseguir o investimento, poderá vir a rivalizar com a China como exportador de vestuário. 

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A próxima fábrica do mundo?
Atualmente os exportadores indianos confiam demasiado na restituição de direitos aduaneiros quando o vestuário é reexportado com base em tecidos e fibras comprados fora do país, afirmou Deepika Rana, vice-presidente executiva da Li & Fung India, na conferência Texcon 2013 que decorreu em meados de julho. «Só um punhado de fornecedores no país está a concentrar-se no desenvolvimento de eficiências na linha de produção, reduzindo desperdícios e cortando custos», acrescentou
No entanto, Rana revelou na conferência organizada pela Confederação das Indústrias Indianas (CII) em Nova Deli, que estava confiante de que a procura por parte de compradores estrangeiros irá forçar a mudança na indústria têxtil e vestuário da Índia. Rana salientou ainda que o sector deve ter uma visão holística dos custos, considerando os custos indiretos, bem como os de origem interna. Citando o caso do Bangladesh, ela considera que, apesar das fábricas serem baratas, os fracos relacionamentos industriais originam greves que afetam os prazos de entrega, obrigando os compradores a utilizar o dispendioso transporte aéreo.
Darshan Lal Sharma, presidente da conferência e diretor-executivo da Vardhman Textiles, indicou que a Índia também tem problemas de entrega dentro do prazo, produtividade da mão-de-obra, rotatividade de pessoal experiente e fraco compromisso com o trabalho.
Estas questões poderiam ser abordadas, segundo Sharma, através da reorganização da indústria para os seus pontos fortes. «Chegou a hora da Índia criar os seus pontos de venda exclusivos, que podem ser a dimensão da encomenda flexível e o foco em competências e design», defendeu

Além disso, para tornar o sector de vestuário mais produtivo, Sharma referiu que a Índia precisa de apoiá-lo com investimentos para criar empresas fortes de fiação, tecelagem e tinturaria, as quais são de capital altamente intensivo.
Apontando para a previsão de mais 1 bilião de dólares na procura global por têxteis e vestuário em 2025, Sharma afirmou que responder a esta procura exigiria mais 500 mil milhões de dólares de investimentos ao nível mundial. «A maior parte da capacidade de fiação está na Índia, China e Paquistão», explicou, e «mesmo que consigamos uma quota de 25% desse investimento, seguidamente haverá um crescimento correspondente na tecelagem, tinturaria, acabamento de tecido e sector de vestuário».
O novo ministro indiano para os têxteis, Kavuru Sambasiva Rao, que foi nomeado em junho, concordou que há necessidade de um melhor ambiente de trabalho na indústria têxtil e vestuário para gerar melhorias sustentadas. Mas argumentou que é necessário a liberalização do direito do trabalho para atrair mais investimento.
Rao também enfatizou que a Índia precisa de integrar os seus sectores têxtil e vestuário para exportar peças acabadas que sejam 100% provenientes do país, reduzindo a quantidade de algodão e as exportações de fios.
Ranbir Kumar Vij, conselheiro na empresa Indo Rama Synthetics, destacou a forte procura internacional por fibras sintéticas e outras fibras não celulósicas como uma oportunidade. «Há uma grande lacuna na produção mundial e indiana de poliéster e um enorme potencial para aumentar o consumo per capita de fibras de poliéster na Índia», indicou o responsável, acrescentando que «sem se tornar um líder em fibras de poliéster, a Índia não pode atingir metas de exportação elevadas».
Vij também disse que, embora a participação da Índia nas exportações globais de têxteis e vestuário seja atualmente de apenas 4,5%, a vantagem é que o país tem potencial para aumentar as suas exportações, sem ser prejudicado pela escassez de infraestruturas e de mão-de-obra, dado que o investimento realizado até ao momento é suficiente.
Já Veit Geise, vice-presidente da Asia Sourcing na VF Corporation, afirmou que «para a questão sobre qual poderá ser a próxima China, há apenas uma resposta: a Índia». Segundo Geise, nenhum outro país tem a dimensão necessária, a estrutura e as matérias-primas potenciais.
Fonte: just-style.com