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15 de ago. de 2015

ONDA DE ESTILO

ONDA DE ESTILO


Amapo São Paulo Fashion Week- Verão 2016 Abril/2015 foto: Ze Takahashi/ Agência Fotosite
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O swimwear continua a ser uma das grandes vedetas da moda brasileira, com os criadores e marcas do “país irmão” a revelarem os modelos, as cores e os grafismos que vão embelezar as praias, e os corpos, nos próximos meses.
Na São Paulo Fashion Week, o colorido do arco-íris e os cortes foram pontos obrigatórios nos modelos apresentados, com o lado divertido e audaz dos criadores brasileiros a vir à tona.
Pensados para a próxima estação quente no Brasil, os cortes do swimwear mantêm-se relativamente clássicos para dar protagonismo à exuberância dos estampados, como nas propostas da Amapo. A marca apresentou inclusivamente um modelo em preto com mangas compridas decorado com uma espécie de arco-íris. As mangas, de resto, fizeram igualmente parte dos fatos de banho apresentados pela Água de Coco.
O recurso a crochet, como na TNG e Água de Coco, a fitas coloridas, como um dos biquínis da Amapo, e a redes, nas propostas da Triya, refletiram o espírito festivo e leve característico da estação, para usar no ambiente descontraído da praia e das férias.
A Lenny Niemeyer confirmou a tendência colorida com peças tingidas de verde, azul e laranja, enquanto a Salinas optou por modelos estampados com padrões geométricos que misturam vermelho, amarelo, verde, branco e azul.
Os modelos mais desportivos e com toques masculinos foram igualmente uma tendência na passerelle “paulista”. As combinações de partes de baixo de biquínis e croped tops multiplicaram-se, incluindo na 2nd Floor, que selecionou um motivo gráfico colorido para um efeito ao mesmo tempo dinâmico e elegante.
Fatos de banho com recortes, com gola alta ou mais chegados ao pescoço e modelos com apenas um ombro pontuaram as coleções de marcas como a Água de Coco e a Animale e os biquínis cai-cai prometem ser uma constante, pelo menos segundo as propostas das marcas Salinas e PatBo, entre outras, realçando as curvas de um corpo bem torneado com modelos estampados ou em cores sólidas como vermelho, coral, creme ou azul-marinho.

14 de ago. de 2015

RETRO OU FUTURISTA?


201db204b43785b87408e98a53a478a4cb54d0190814593596f8307b4eac2d58Com os primeiros dias de calor a chegar ao país, os óculos de sol, inspirados no passado ou com uma visão para o futuro, são o acessório que não pode faltar, para levar para a praia e mesmo no dia a dia.
Já no final dos anos 60, a cantora Natércia Barreto apontava os óculos de sol como um must-have nas idas à praia – juntamente com «o pente, o espelho, o batom e um creme muito bom para me bronzear». Mas mais do que apenas esconder as lágrimas de um desgosto amoroso e da indispensável proteção dos olhos dos raios UV, os óculos de sol são hoje também um acessório de moda e há que escolher a forma, as cores e as opções que marcam cada estação.
Para a primavera-verão 2015, algumas tendências persistem. É o caso do retro, pelo que os óculos de espírito vintage continuam a ser uma das opções com muito estilo. Mas nem todas as marcas concordam e, por isso, há modelos para quem prefere olhar para o futuro.

Aviadores em força
Deixados de lado durante alguns anos, os óculos-aviador estão agora um pouco por todo o lado. O seu look retro por excelência tem sido revisitado constantemente nos últimos tempos, mas embora as marcas não ousem mexer muito na forma emblemática, os detalhes são outra história – das lentes à armação, decorações, matérias-primas usadas. Uma oportunidade para misturar o retro com o futurista e colocar o estilo bem à vista.
A marca Ray-Ban está indiscutivelmente associada a este tipo de óculos de sol, mas muitas outras têm reinventado o modelo, incluindo a Prada, a Burberry e a Gucci. Também a Alain Afflelou, uma oculista de origem francesa com presença em Portugal, propõe um modelo em metal clássico preto e policarbonato, com lentes de cores diferentes.

Regresso aos anos 60
Numa viagem ao passado, os óculos de sol fazem, este verão, uma escala na década de 60. As formas redondas estão de volta, com modelos coloridos, decorados ou mais sóbrios. Esta tendência marca igualmente o regresso das hastes manchadas castanho/amarelo, muito em voga nos anos 60. Balenciaga, Boss Orange e Bulgari são algumas das marcas que contemplam estes modelos nas suas coleções. A Jérémy Tarian, por seu lado, propõe uma edição limitada rétro-chic, redonda, com o modelo “Madeleine”, nomeadamente em vermelho.

Espírito futurista
Algumas marcas escolheram diferenciar-se e oferecer uma alternativa à tendência retro com um design futurista. É o caso da Dior com o modelo “Dior Technologic”, que surgiu no desfile para a primavera-verão 2015, com forma “pantos”, armação em metal prateado ou dourado, lentes espelhadas ultrafinas e hastes em acetato preto fosco.

Fonte: RelaxNews 

12 de ago. de 2015

O diabo veste Zara

Fonte: Forbes
Chegou, viu e venceu. A Zara conquistou a China e supera agora as casas de luxo internacionais, que detinham anteriormente o baluarte da preferência dos consumidores chineses.
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O diabo veste Zara
A Prada detinha 33 lojas na China no primeiro trimestre deste ano e 49 em 2014. Os espaços Armani caíram de 49 para 44. Existem hoje 11 boutiques Chanel no país, cerca de metade do número anterior.
«O retalho de luxo ocidental na China está a desaparecer rapidamente e prevejo que muitas mais lojas de luxo terão de fechar», afirma David Tang, fundador da cadeia de moda Shanghai Tang.
Porém, nem todos concordam com Tang. Carlby Xie, representante da imobiliária Colliers International em território chinês, acredita que as marcas de luxos não vão encerrar as suas localizações na China.
Apesar da perspetiva, eventualmente, pouco imparcial de David Tang, ele está mais próximo do sector do que Xie. Não resta dúvida de que, em toda a China, as marcas de luxo estão em retirada.
Isto não significa que os consumidores chineses não anseiem por artigos de luxo – eles são responsáveis por 46% dos gastos mundiais em artigos de luxo –, mas optam por fazer cerca de 76% das suas compras fora do país. Como relata a agência oficial de notícias Xinhua, as «lojas de design na China têm vindo a servir como meros showrooms».
No futuro, locais de luxo em cidades de segunda e terceira linha serão encerrados. As marcas, contudo, irão manter as suas lojas próprias em Pequim e Xangai para que os mais abastados possam descobrir o que pretendem comprar quando se deslocarem ao exterior para fazer compras.
Em território doméstico, os preços elevados, devido às taxas e à campanha anticorrupção do presidente chinês Xi Jinping, têm desencorajado a compra de artigos de luxo. No ano passado, as vendas de luxo na China caíram 1%, o primeiro declínio de que há memória.
Este ano, o recuo poderá ser ainda mais pronunciado, num momento em que as marcas de luxo começam a oferecer descontos na China.
Eventualmente, ocorrerá uma retoma da despesa com bens de luxo na China, mas, entretanto, os construtores de centros comerciais estão ainda a disponibilizar espaços comerciais de luxo abundantes no mercado. Em Xangai, serão inaugurados 55 centros comerciais nos próximos três anos. Nesse período, a China assistirá à inauguração de 40 milhões de metros quadrados de espaços comerciais.
Coloca-se, então, a questão de quem irá ocupar esse espaço. Na China, o diabo agora veste Zara. Os proprietários de centros comerciais encaram as marcas de fast-fashion como uma oportunidade de resgate. De acordo com um relatório produzido por Rebecca Tibbott, da firma JLL Shanghai, a H&M pretende inaugurar 80 lojas na China este ano e a Zara planeia a abertura de 60 espaços. A Uniqlo antecipa 100 novos pontos de venda.
A Forever 21, sediada nos EUA, tem nove locais em território chinês e pondera a inauguração de mais 50. A Gap abriu 32 lojas desde 2013 e a Banana Republic planeia estrear-se na China este ano.
Carlby Xie afirma que, em cinco anos, a Zara estará «em todos os lugares» do país, assim como a Uniqlo.
«Para conseguirem tráfego em centros comerciais atualmente, os proprietários precisam de fast-fashion», observa o relatório da JLL. «Em alguns casos, pedem que marcas de fast-fashion se posicionem lado-a-lado com marcas de luxo». A Gucci negar-se-ia, normalmente, a estar próxima de uma Gap, mas a realidade é que os retalhistas de luxo precisam do tráfego gerado pelas marcas de fast-fashion.
Em acréscimo aos desafios do sector de luxo, os proprietários de centros comerciais, veem-se também limitados pelo grupo Alibaba. A empresa de Jack Ma transformou o retalho chinês e a plataforma JD.com está a completar essa transformação. Uma substancial percentagem de 11% do retalho está online atualmente.
O segmento de moda sem marca encontra-se, cada vez mais, no meio digital, pelo que os proprietários de centros comerciais perderam a procura na base da sua pirâmide. E com os «sinais de fadiga» evidenciados pelo sector de luxo, estão também a perder as lojas de topo. Por esse motivo, a Zara e os seus rivais têm hoje o poder de negociação, que lhes permite conquistar espaços nobres e expandir rapidamente em território chinês.
O segmento de fast-fashion também irá beneficiar, pelo menos em termos relativos, da desaceleração da economia. Normalmente, as contrações económicas afetam a classe média, mas a crescente desaceleração da economia chinesa parece estar a impulsionar o segmento de fast-fashion.
E uma outra coisa irá impulsionar a fast-fashion na China. Estas marcas percebem que as suas lojas chinesas acabarão por estimular as vendas nos seus espaços fora do país. À medida que, cada vez mais chineses viajam para o exterior, ou abandonam o país permanentemente, vão preferir marcas que conheceram em casa.
O fenómeno de compras offshore é já significativo. A Administração Estatal de Câmbio revelou que os turistas chineses despenderam cerca de 165.000 milhões de dólares no exterior em 2014, 28% mais que 2013. De acordo com o Mintel Group, cerca de 85% dos chineses que viajaram para o exterior no ano passado compraram vestuário e calçado. Esta é uma boa notícia para os proprietários de centros comerciais chineses: as marcas de fast-fashion têm agora mais um motivo para se instalarem na China.
 

11 de ago. de 2015

Futuro criativo

O foco no consumidor, a resolução de problemas e a interatividade com o mundo digital estão a gerar novas abordagens criativas no mundo da moda e a mudar a forma como as marcas e empresas desenvolvem novos produtos e serviços e se relacionam com o mercado.
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Futuro criativo - Parte 1
Estas foram apenas algumas das conclusões da primeira edição da Creative Futures Summit, organizada pelo WGSN em Londres, que juntou líderes do retalho, moda, design, indústria automóvel, luxo e tecnologia para discutir a disrupção e o futuro da criatividade.
Durante os dois dias de evento, a necessidade de criar ligações emocionais com os consumidores foi um tópico forte. Uma questão vista não só sob a perspetiva de criar produtos com um bom design mas também através de formas inovadoras de comunicação ou experiências imersivas, mantendo-se sempre autêntico e relevante enquanto marca.
Experiência foi outra das palavras mais proferidas e um forte indicador do objetivo estratégico fundamental nas indústrias criativas, dando suporte à tendência de foco no consumidor e design de experiência.
Da resolução de problemas à disrupçãoA era digital tem dado origem a uma nova fase na economia criativa onde a realidade para as empresas é serem disruptivas ou serem apanhadas na disrupção criada por outras. Apesar de ser uma palavra repetida muitas vezes, a disrupção em si não é, contudo, o motor de muitas empresas inovadoras. Em vez disso, são os problemas. Charles Day, CEO da consultora na área da liderança criativa The Lookinglass, afirmou que «a disrupção é, na verdade, uma consequência, não a meta por detrás de novas ideias e desenvolvimentos».
É o caso da Sofar Sounds, por exemplo. Rafe Offer, ex-executivo da Disney e da Coca-Cola, teve a ideia para o negócio em 2009 durante um concerto. «Não conseguia ouvir a banda e era aborrecido. O problema que vi era que a experiência da música podia ser melhor», explicou. A sua solução foi fazer concertos na sala de estar das pessoas. O que começou como um hobby tornou-se num movimento e é agora um negócio com 10 funcionários e concertos nas salas de estar de pessoas em 140 cidades em todo o mundo. «De uma forma pequena, estávamos a tentar resolver um problema e isso foi disruptivo – mas essa nunca foi a intenção», afirmou Offer.
Roger Wade, diretor da Boxpark, é um defensor convicto do retalho independente e queria encontrar uma solução para a ameaça de morte que paira sob o sector. «Não podia pagar 500 milhões de libras em Westfield, mas podia pagar a construção de um parque de contentores como casa para os independentes», contou. O resultado foi a abertura do centro comercial pop-up Boxpark no Shoreditch de Londres em 2011.
A ideia revoluciona as abordagens tradicionais do imobiliário para retalho. «Normalmente o valor da propriedade aumenta, mas construímos algo em que o valor pode ser anulado cinco anos depois. Percebemos que podíamos ter aí um negócio decente», referiu. «Quando se soluciona problemas, geramos grandes oportunidades, porque os outros negócios estão a enfrentar esses problemas também e torna-se um catalisador da mudança», acrescentou.
Liderar uma cultura disruptivaMesmo as empresas que são muitas vezes líderes da disrupção podem ter dificuldades em inovar. A gigante do retalho Amazon, por exemplo, é muitas vezes citada como a maior disruptora do retalho mundial. Mas Stephen Uren, diretor criativo na Europa da Amazon, sublinhou que embora a empresa seja disruptiva na entrega e armazenamento, tem sido menos na relação com o consumidor. «É algo que estamos a tentar mudar mas há muitos fatores internos», indicou.
A gigante da Internet está agora a planear tornar a oferta no seu website para o consumidor mais consistente e introduzir um tom mais amigável à marca. «O comércio eletrónico costumava ser muito frio, mas as pessoas querem agora perceber quem somos e vêm à Amazon para terem uma perspetiva de marca», destacou.
A solução de problemas bem-sucedida não pode ocorrer sem a atitude certa da liderança. «Tem tudo a ver com o CEO», acredita Offer, da Sofar Sounds. «Se tiver um apetite por falhar, então pode haver disrupção, mas sem isso não é possível», acredita.
Apesar da Amazon ter equipas dedicadas à inovação, Uren concordou que a mudança tem de vir do topo. Um outro impedimento é o tempo e os processos. «Enquanto criativos, temos de encontrar formas para contornar processos pesados para crescer», afirmou. Uren aconselhou gastar tempo quando se está a fazer o recrutamento e a criar a equipa certa para alimentar a inovação e encorajar as pessoas a simplesmente trazer ideias – qualquer ideia, não têm de ser “as melhores”.
Numa nota final para a cultura de inovação das empresas, Day, da The Lookinglass, destacou que os negócios devem ser claros em relação ao que é inovação bem-sucedida e sobre os prazos. É isso que ajuda a abrir caminho para ideias e soluções, sublinhou.
Da oferta de serviços-chave à imersão “Experiência” foi outro conceito-chave durante os dois dias da cimeira. Dentro do retalho, isso traduz-se em experiências de marca e de loja imersivas, assim como em melhorias na rotina do consumidor, cada vez mais ligadas às novas tecnologias.
Segundo o diretor da área digital da Topshop, Lou Ashton, «fazemos a distinção entre essas tecnologias e a oferta central de serviços, como o “clique e recolha” e encomendar na loja [e as tecnologias mais avançadas]. Não são muito “sexy” mas acrescentam uma camada de experiência para os consumidores».
Estes serviços são também intrínsecos à construção da marca. «Pode ter um produto fantástico mas se for entregue pela pessoa errada com a atitude errada, todo o trabalho no desenvolvimento do produto é desfeito», referiu James Huntly, da Honour Branding. «As pessoas esquecem-se do que foi dito ou feito, mas nunca se esquecem como isso os fez sentir», acrescentou.
Para os retalhistas implementados responderem às necessidades de experiência é preciso a reinvenção da infraestrutura de base, destacou Guy Smith, diretor de design do Arcadia Group. Prazos de entrega rápidos, por exemplo, sobem as expectativas. «Tem de ir àquele sítio porque vai tornar-se a norma», afirmou Smith. Dentro de alguns anos, a entrega convencional será o equivalente a um mau ar condicionado e inaceitável para a experiência de retalho ao nível mais básico. Sempre que as experiências do consumidor são menos do que perfeitas, «tira valor à marca», concluiu Smith.
No que diz respeito à imersão, a Topshop usou o seu envolvimento com a Semana de Moda de Londres para forçar as fronteiras da experiência do consumidor. A sua parceria, muito divulgada, com a Oculus Rift na Semana de Moda de Londres em fevereiro de 2014 foi uma forma de democratizar a semana de moda através da tecnologia, permitindo que alguns consumidores mergulhassem na marca usando a realidade virtual.
Questionado sobre se a realidade virtual tem lugar no retalho de moda, Ashton acredita que o seu papel está no aumento das possibilidades. «A nossa moda tem a ver com sermos rápidos e primeiros, por isso queremos ser experimentais e depois reintroduzir isso de uma forma mais consistente quando revisitado – é uma oportunidade de ir a um lugar louco e trabalhar a partir daí para trás».
Na segunda parte deste artigo, saiba como as novas tecnologias estão a mudar a abordagem à criatividade e como as estações poderão ter os dias contados na indústria da moda.
Em resposta à procura por produtos inovadores e à valorização da experiência imersiva exigida pelos consumidores, as marcas e retalhistas estão a repensar o seu posicionamento, aderindo à cultura digital e aos seus ícones, ao mesmo tempo que repensam o lançamento de coleções sazonais.
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Futuro criativo - Parte 2
A resolução de problemas tem estado na origem de grande parte da inovação, nos produtos, serviços e processos que as empresas direcionadas para o consumidor final, e não só, têm lançado no mercado, segundo os especialistas que se reuniram na primeira Creative Futures Summit organizada pelo WGSN (ver Futuro criativo - Parte 1). A cultura digital e a exigência da disponibilidade dos produtos são outras tendências que irão afetar o futuro da indústria da moda.
Palco aos consumidores e à culturaSe as marcas de moda e os negócios do retalho querem criar ligações emocionais significativas com os consumidores (e com isso proporcionar experiências de consumo positivas), têm de colocá-los no centro da narrativa de marca. «A mudança mais importante que está a acontecer é que o consumidor tornou-se uma personagem na história da marca e vê-se nela de uma forma diferente dos ditames e branding tradicionais», afirmou Kristen Naiman, vice-presidente criativa da marca Kate Spade New York.
Os consumidores tiveram um aumento na autonomia de como compram e navegam nas histórias da marca. «As marcas precisam agora de contar histórias universais em que as pessoas se revejam, seja isso com as personagens ou os ambientes», indicou. «A verdadeira vantagem do digital é que permite ter uma capacidade muito maior de ter uma conversa um-para-um entre a marca e o consumidor; temos de ouvir e articular uma visão com que os consumidores se consigam identificar», explicou.
As mais recentes comunicações da Kate Spade jogam com esta ideia, usando o humor para criar uma ligação com os consumidores. Tendo como protagonista a atriz Anna Kendrick, a campanha tem como ideia de uma heroína estouvada em Nova Iorque à procura de aventura – uma mulher com que muitas consumidoras se conseguem identificar – que se mete em situações onde tudo corre mal, tendo de usar o seu carisma para sair delas. «Não há nada mais carismático do que a boa disposição e uma história relacionada com a humanidade que a nossa marca tem», acredita Naiman.
Para uma adoção generalizada, as marcas têm «de genuinamente se preocuparem com o que interessa ao consumidor em vez do que lhes interessa a elas, enquanto marcas», sublinhou, por seu lado, Melisa Goldie, diretora de marketing da Calvin Klein Inc. Por outras palavras, abraçar a cultura e abraçar o digital porque «a cultura acontece primeiro no digital».
Na sua intervenção sobre marcas de moda, Goldie afirmou que a Calvin Klein sempre esteve disposta a juntar-se com a cultura popular, desde ter contratado Marky Mark em 1992 ao uso controverso de Justin Bieber na atual campanha. Embora Goldie admita que a decisão de ter Bieber como cara da campanha para a primavera-verão tenha sido a mais difícil que teve de tomar nos seus 14 anos na empresa, mantém-se firme na mesma. «Justin Bieber é um verdadeiro reflexo da nossa cultura no digital – a linha entre a pessoa privada e a pessoa pública está extremamente esbatida. Esta documentação em tempo real da sua vida torna-o num representante perfeito para as verdades da nossa marca», acredita.
O futuro das tendências de modaEnquanto as marcas e retalhistas tentam forjar ligações emocionais com os consumidores sobre o produto, a relevância das estações primavera-verão e outono-inverno na indústria começa a ser questionada, e é um tema quente que está a ser debatido internamente nas empresas de moda.
Num painel que explorou o “Fim de uma tendência?”, os oradores sublinharam que o mercado mundial criou menos enfâse nas estações no geral, e os consumidores estão agora a vestir-se mais “trans-sazonalmente”. Os consumidores estão também cansados dos novos produtos antes de eles sequer chegarem às lojas, com os artigos e os estilos a serem usados e partilhados nas redes sociais pelos bloggers e celebridades antes do consumidor ter a oportunidade de os comprar.
Erin Mullaney, diretora mundial de merchandising de vestuário pronto-a-vestir de senhora da Tom Ford, afirmou que «o timing é realmente a chave. As marcas têm de lançar os produtos mais perto da altura em que é suposto serem usados. Os consumidores não acreditam que as marcas não os vão pôr no mercado, por isso as marcas têm de reestabelecer essa confiança».
Na Semana de Moda de Londres em fevereiro, a Topshop explorou formas de diminuir a distância entre o consumidor e a passerelle. Através de uma parceria com o Twitter, a retalhista identificou as novas tendências para o outono-inverno que emergiram da Semana de Moda de Londres tal como discutidas na plataforma social. Estas tendências foram então comparadas com o stock da estação atual. Os manequins foram vestidos com os coordenados, que foram também mostrados no website e apresentados em sete ecrãs digitais no Reino Unido a 10 minutos a pé de uma loja Topshop. Segundo a diretora de vendas do Twitter, Georgina Parnell, «como resultado, a Topshop registou um aumento de 34% das vendas nos itens apresentados».
A iniciativa deu aos consumidores uma opção imediata de compra, em vez de fazer uma pré-encomenda no stock da próxima estação, como visto em semanas de moda anteriores, e deu a possibilidade de fazerem parte em tempo real da cultura da moda.
Em conclusão, o painel concordou que duas ou três tendências dominantes por estação irão manter-se relevantes, mas estão a emergir tendências mais focadas em peças, como as calças curtas à boca de sino. A curto prazo, contudo, tendo em conta o papel dos grandes armazéns, as marcas deverão continuar a usar os sistemas primavera-verão e outono-inverno, pelo menos por agora.

Fonte: WGSN

10 de ago. de 2015

Birkin sem crocodilo

A cantora e atriz britânica Jane Birkin pediu à casa de luxo Hermès que retirasse o seu nome da bolsa de pele de crocodilo, depois de tomar conhecimento dos métodos «cruéis» usados no fabrico do icónico acessório.
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Birkin sem crocodilo
Custando dezenas de milhares de euros, a bolsa Birkin é um símbolo de riqueza e um modelo muito amado por celebridades, mas a versão confecionada a partir de pele de crocodilo tem atraído a ira dos ativistas dos direitos dos animais.
«Depois de ter sido alertada para as práticas cruéis infligidas aos crocodilos durante o seu abate para a fabricação de bolsas Hermès batizadas em meu nome pedi que a Hermès desbatizasse a Birkin Croco até que sejam aplicadas melhores práticas em conformidade com as normas internacionais», revelou Jane Birkin em comunicado.
A bolsa foi concebida para a cantora e atriz britânica, em 1984, depois de um encontro casual com o então presidente da Hermès, Jean-Louis Dumas. Uma jovem mãe na época, Jane Birkin afirmou ser incapaz de encontrar uma bolsa que fosse simultaneamente elegante e prática.
A bolsa tornou-se, desde então, um dos acessórios favoritos entre as celebridades, como Victoria Beckham, Kim Kardashian e personagens da popular série de televisão, “Sexo e a Cidade”, entre outras.
A versão de pele de crocodilo, que custa pelo menos 33.000 euros, é um dos produtos mais célebres da Hermès, a par dos seus lenços de seda e bolsas batizadas em homenagem a Grace Kelly.
A bolsa, que está também disponível em couro bovino ou pele de avestruz, é confecionada inteiramente à mão, em França. A finalização de cada bolsa demora entre 18 a 25 horas.
No entanto, o acarinhado modelo tornou-se recentemente alvo de uma exposição do grupo de defesa dos direitos dos animais Peta, destacando as fazendas de crocodilos do Texas ao Zimbabué, onde os répteis são alegadamente amontoados em poços de cimento antes de serem mortos.
A Peta divulgou que são necessários dois a três crocodilos para confecionar uma Birkin. «Com apenas um ano de idade, os crocodilos são alvejados com uma arma de êmbolo ou grosseiramente golpeados quando estão ainda conscientes e capazes de sentir dor», explicou a Peta.
Congratulando-se com a decisão de Jane Birkin, o grupo Peta anunciou que «em nome de todas as almas boas deste mundo, agradecemos à Sra. Birkin por terminar a sua associação com a Hermès». O grupo solicitou, também, à Hermès que «parasse a pilhagem de animais selvagens, a pecuária industrial de crocodilos e jacarés e o abate pelas suas peles».
Birkin é, eventualmente, mais conhecida como a ex-mulher do falecido cantor e compositor francês Serge Gainsbourg, que escreveu algumas das canções que a catapultaram para a fama. Goza, também, de uma ampla carreira como atriz.
Numa resposta anterior à controvérsia sobre as suas bolsas de couro de crocodilo, a casa francesa afirmou que todas as fazendas operam em respeito pela Convenção de Washington sobre o Comércio Internacional de Espécies Selvagens de Fauna e Flora Ameaçadas, e que uma auditoria estava em andamento sobre as fazendas apontadas pela Peta.
A Hermès emprega cerca de 12.000 pessoas em todo o mundo, incluindo 7.200 em França.

 Fonte: AFP

23 de dez. de 2014

Chanel celebra a arte na moda

A casa de moda francesa voltou a exaltar o savoir-faire das pequenas empresas de bordados, penas, chapéus e tecelagem que tornam única cada peça das suas coleções, num desfile na Áustria cujas propostas chegarão às lojas de todo o mundo em maio de 2015. 
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Chanel celebra a arte na moda
Bordadores, artesãos de trabalho com penas, sapateiros… A Chanel voltou a celebrar os ateliers que são essenciais às suas coleções com um desfile de moda em Salzburgo, na Áustria, focado na história da casa de moda.
Em 1985, o grupo de luxo começou a comprar ateliers com conhecimentos inestimáveis – sobretudo em França, mas também na Escócia e em Itália. A casa de moda colaborava, muitas vezes, com estes ateliers, que, na altura, estavam em perigo de desaparecer.
Uma dúzia de ateliers constituem a Paraffetion, uma subsidiária da Chanel que emprega cerca de 1.000 pessoas.
No que diz respeito aos ateliers que foram salvos da extinção, Bruno Pavlovsky, presidente de moda na Chanel, assim como presidente da conhecida especialista em bordados Lesage, «é uma história fantástica, que deu muitos frutos». Os benefícios da sua preservação são a longo prazo. «Em 20 anos, ainda os vamos usar para as coleções», acrescenta.
A mais recente aquisição foi o atelier de tecelagem ACT 3, localizado nos Pirenéus Atlânticos, que produz tweed para a Chanel, e que foi comprada pela Lesage, que tinha já sido comprada pela casa de moda em 2002. «Estes artesãos, que conhecem bem o seu ofício, servem primariamente a Chanel, já que somos muitas vezes o seu maior ou segundo maior cliente», explica Bruno Pavlovsky.
Mas a sua relação não é exclusiva: os artesãos também trabalham para outras casas de moda, como a Balenciaga, Dior e a Vuitton. Ao mesmo tempo, a Chanel pode usar outros ateliers, dependendo das necessidades do seu estúdio de design. «Não temos de trabalhar sempre com eles. Trabalhamos com quem responde melhor às necessidades da coleção», afirma o presidente de moda na Chanel. «Percebemos muito rapidamente que era importante que estes ateliers continuassem a trabalhar com o máximo de marcas possível», acrescenta.
Algumas das empresas adquiridas pela Chanel, como a Goossens (joalharia), Massaro (calçado), Maison Michel (chapéus), Barrie (caxemira) e Causse (luvas) têm as suas próprias coleções: elas «têm de existir, para continuar a atrair pessoas para aprenderem o ofício e poderem ter vários apoios económicos», aponta Pavlovsky.
Por isso, «estamos também a tentar aumentar a visibilidade da marca. Isso não significa que estamos a tentar criar outra Chanel. Mas estas são marcas que merecem um maior reconhecimento».
A produtora escocesa de caxemira Barrie e a produtora de chapéus Maison Michel abriram recentemente lojas em Londres. Ambas as casas têm também lojas em Paris. Para Pavlovsky, é óbvio que «mais tarde ou mais cedo vão envolver-se no comércio eletrónico».
Desde 2002, a Chanel tem organizado um desfile de moda para estes ateliers, que Karl Lagerfeld apresenta em dezembro, permitindo que seja acrescentada mais uma coleção ao calendário tradicional de alta-costura e pronto-a-vestir, ao mesmo tempo que responde ao apetite insaciável dos consumidores por novidades.
As peças da coleção estarão a partir de maio em 180 lojas da Chanel em todo o mundo, assinalando o início das coleções de inverno.
Estes desfiles de pronto-a-vestir “métiers d’art” foram apresentados em cidades associadas com a marca e com Gabrielle Chanel. Depois de Dallas e Edimburgo, a mais recente edição teve lugar no passado dia 2 de dezembro em Salzburgo, na Áustria, no Schloss Leopoldskron, um palácio rococó do século XVIII. O desfile apresentou uma coleção que evoca o Império Austro-Húngaro e a história do famoso casaco de Coco Chanel, que foi inspirado num dos operadores de elevador de hotel da cidade.
Para publicitar o evento, Karl Lagerfeld dirigiu o cantor Pharrell Williams e a modelo Cara Delevingne num vídeo que foi publicado no dia anterior. O vídeo mostra borboletas bordadas em lantejoulas da Lesage, chapéus produzidos pela Maison Michel, desenhos florais que a Lemarié criou a partir de penas de faisão e galinha… A coleção exigiu centenas de horas de trabalho meticuloso dos artesãos em ateliers modernos em Pantin, perto de Paris, onde cinco destas empresas estão localizadas.
 
Fonte: AFP

6 de jun. de 2014

As Mil e Uma Noites da Chanel

A casa de moda francesa fez milhares de quilómetros para apresentar a sua nova coleção cruzeiro no Dubai, num verdadeiro cenário mágico a lembrar as aventuras dos contos populares das “Mil e Uma Noites”, onde não faltaram estrelas de cinema e a nata da sociedade.
 

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As Mil e Uma Noites da Chanel

Foi numa pequena ilha ao largo do Dubai, num cenário inspirado nas “Mil e Uma Noites”, que Karl Lagerfeld apresentou a coleção cruzeiro da Chanel 2014/2015. Uma coleção de inspiração oriental, onde algumas manequins usaram pesadas joias em prata, túnicas e chinelos ou vestidos que reinterpretam o padrão xadrez do keffiyeh.
«É a minha ideia de um Oriente idealizado, mas um Oriente para toda a gente», explicou o criador. «Não é folclore. É uma ideia do que o Oriente pode inspirar em termos de moda», sublinhou.
Os convidados, entre os quais as atrizes Vanessa Paradis e Tilda Swinton, assim como a princesa Amira Al-Taweel, esposa do milionário saudita Walid ben Talal, chegaram à ilha a bordo de pequenos barcos. Caminharam entre as tendas, ao som de um tocador do tradicional alaúde, no meio de um espetáculo mágico de centenas de pequenas velas colocadas na areia.
Numa grande sala construída para a ocasião, e cuja fachada reproduzia ao infinito o logótipo da casa de moda, os convidados – a maioria elegantemente vestida em Chanel – foram colocados à volta de mesas baixas decoradas com lanternas ou em almofadas para assistir ao desfile.
Questionado sobre os motivos que o levaram a escolher o Dubai, Karl Lagerfeld destacou que este «é o mundo de amanhã». «Afinal, esta é a cidade onde está o maior edifício do mundo. É uma realidade moderna que ultrapassa a realidade moderna da Velha Europa. Aqui, tudo é novo», explicou, depois de cumprimentar o sheik Ahmed ben Saïd Al-Maktoum, presidente dos Emiratos e tio do soberano do Dubai, que veio dar as boas-vindas ao “Kaiser” da moda ao emirato.
 

Fonte: AFP

10 de mai. de 2014

Febre Moss invade Topshop

A mais recente coleção de Kate Moss para a retalhista britânica, que está também à venda online, voltou a gerar filas à porta da loja de Oxford Street, com muitas fashionistas a aguardarem horas para terem a oportunidade de serem as primeiras a comprar algumas das 40 peças icónicas recriadas pela top model. 
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Febre Moss invade Topshop
A modelo britânica e ícone de estilo fez uma aparição na loja da Topshop em Oxford Circus no dia 29 de abril para o lançamento da sua mais recente linha de vestuário para a retalhista de moda, sete anos depois da sua primeira coleção. A gama foi lançada às 18h com um evento na loja londrina apresentado pelo DJ Nick Grimshaw da Radio 1, com centenas de consumidores a fazerem fila à porta.
A linha de 40 peças está disponível online e em 346 lojas em 41 países desde 30 de abril, assim como em lojas Nordstrom e em Nordstrom.com. Pela primeira vez, 38 estilos da linha estão também disponíveis no Net-A-Porter.com.
Pensada para ser um «guarda-roupa autobiográfico», a coleção apresenta recriações das peças favoritas de Kate Moss ao longo dos anos, assim como referências às suas heroínas de estilo. Os quatro temas – Baleares, pijama, hora do cocktail e tailoring negro – incluem peças que têm significado pessoal para a modelo. Os artigos chave incluem vestuário de noite com contas, vestidos cocktail em chiffon, conjuntos sedosos inspirados em pijamas, casacos decorados, blazers e jumpsuits, blusas transparentes com mangas em chiffon e calções curtos em denim com tachas.
As estudantes do London College of Fashin Jasmine Huang, Le Huang, Muran Li e Jiaying Liang fizeram fila para serem das primeiras a ver a coleção na loja. Jasmine Huang conta que «ouvimos que algumas pessoas estiveram cinco horas à espera, mas nós só chegamos 40 minutos antes da grande abertura e entramos em 30 minutos, com o terceiro grupo de consumidores. Encontrei o Philip Green lá dentro, ele estava a ajudar os clientes e a falar-lhes das roupas. Na verdade, o serviço foi bastante bom, descontraído e não tão confuso como da última vez que lançaram aqui uma coleção».
Funcionários da loja de Marble Arch, em Londres, revelaram ao WGSN que no dia seguinte houve um fluxo constante de pessoas e que muitos produtos já foram comprados. O kaftan branco bordado quase que esgotou e a camisa de algodão bordada com detalhes de bata também é um bestseller.
Os preços variam entre as 35 libras (42,60 euros) e as 600, com o produto mais caro a ser um vestido adornado exclusivo para o Net-A-Porter.com, com apenas 50 unidades disponíveis. Outros artigos de edição limitada incluem um vestido comprido recortado em cetim azul, do qual existem apenas 20 exemplares.
A primeira coleção de Kate Moss para a Topshop foi lançada em maio de 2007, com a supermodelo a posar na montra da loja de Oxford Street e as peças a tornarem-se imediatamente bestsellers. Moss também desenhou linhas para a Longchamp e para a Carphone Warehouse.
 Fonte: WGSN

1 de jun. de 2013

A galope para a passerelle

O estilo equestre está a migrar dos picadeiros para a passerelle, com muitas marcas de luxo, como a Hermès, a Gucci ou a Hunter, a recuperarem a sua história e a transporem para as suas linhas o espírito campestre, respondendo a uma procura crescente por parte dos consumidores por este estilo de vida. 
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A galope para a passerelle
Longe dos vestidos inapropriadamente brilhantes e saltos vertiginosos que pisam a relva durante eventos como a corrida de cavalos Grand National (em Liverpool), várias marcas de luxo estão a sentir um renascimento de um estilo estético equestre mais autêntico.
As marcas com fortes ligações aos cavalos, da Hermès e Gucci aos históricos nomes britânicos como Swaine Adeney Brigg, Hunter e Tanner Krolle, estão a registar um aumento súbito nas vendas, sobretudo na Ásia e no Médio Oriente, onde a autenticidade e origem são valorizadas. Como resultado, o classicismo equestre está de novo no radar do estilo.
«Apesar de muitos consumidores não serem eles próprios cavaleiros, é o que as linhas inspiradas no desporto equestre representam que os atrai, querem comprar o estilo de vida», sustenta Honor Westnedge, analista de retalho na empresa de pesquisa de mercado Verdict.
«Os cavalos sempre foram símbolos de poder na história e na literatura», concorda Lucy Cleland, editora da revista mensal britânica Country & Town House. «O uso perfeito do couro, o corte e o seu lado prático tornam o estilo inspirado na cavalaria sensual e intemporal».
Tal como sublinha Pierre-Alexis Dumas, diretor artístico da Hermès, na introdução do Le Monde d’Hermès, uma brochura para a primavera-verão produzida pela marca de luxo com inspiração equestre, «o cavalo, afinal de contas, foi o primeiro atleta vestido pela casa». Fundada em 1837 em Paris para equipar os homens e mulheres nobres com arneses, freios e selas para carruagens, a Hermès reflete estas tradições com a sua atual campanha publicitária “A Sporting Life”.
A marca italiana de luxo Gucci, fundada por Guccio Gucci em Florença, em 1921, e especializada em malas para os aristocratas, regressou nos últimos anos ao mundo equestre, recrutando Charlotte Casiraghi, de 26 anos, que faz salto a cavalo e tem como outras credenciais ser a quarta em linha para o trono do Mónaco, como cara da marca. Vestida num guarda-roupa equestre clássico criado por Frida Giannini, com lenços em seda usados como pulseiras, Casiraghi capta o ideal atual, tal como a sua mãe, a princesa Carolina, nos anos 70 e a sua avó, Grace Kelly, nos anos 60.
Em novembro do ano passado, a Gucci lançou uma nova coleção equestre de 15 peças, caracterizada por modelos clássicos da casa de moda, como as faixas com riscas verde-vermelho-verde. Embora as gabardinas e a capa de montar em veludo possam ser usadas enquanto sentado na sela em couro Guccissima (a marca ainda produz selas), não ficarão descontextualizadas fora do picadeiro.
O mesmo se aplica às galochas Hunter – uma pechincha de cerca de 100 euros, em comparação com as da rival francesa Le Chameau, preferidas por Kate Middleton e pelo Príncipe Harry, que podem custar mais de 400 euros –, que ficam tão bem à chuva no bairro mais trendy da cidade como nos estábulos.
«Os nossos leitores tendem a passar a semana na cidade e irem para o campo no fim de semana. O campo está agora na moda e dita muitas vezes as tendências de passerelle», sustenta Cleland. «O nosso primeiro suplemento “Desportos de Campo” no inverno passado juntou Elie Saab com Really Wild (uma marca apreciada pelos Middletons) e Alberta Ferretti com a especialista em armas William & Son, mostrando como as casas de moda e as marcas de desporto tradicionais podem funcionar juntas», acrescenta.
Honor Westnedge considera que, tal como as marcas de luxo estão a satisfazer a procura por um estilo equestre no topo do mercado, a tendência está também a revelar-se em segmentos mais baixos, como o médio, como prova a Joules, uma marca de vestuário de campo à venda na flagship de Londres da Topshop assim como nas suas lojas próprias.
«É vital continuar a trazer novidade para a marca», acredita John O’Sullivan, da Tanner Krolle, uma marca de luxo britânica fundada em 1956 por Frederic Krolle, a segunda geração de uma família especialista em selas. «O maior interesse dos homens por moda teve um grande impacto na empresa, com o negócio de artigos em pele de luxo para homem a crescer 14% em três anos, em comparação com o crescimento de 8% no vestuário de senhora», refere.
Embora as malas pesadas se estejam a transformar em capas em pele suave para iPads, a Taner Krolle continua a incorporar os mesmos acabamentos de freio que usava há 150 anos.
O mundo do design de interiores está também a apanhar a popularidade do chique equestre. Em 2010, Cara Walisnky, cavaleira há muitos anos, lançou a Deux Chevaux, a primeira marca americana de lifestyle equestre, que até incorpora aromas relacionados com cavalos nas velas. «Nem toda a gente tem o tempo ou recursos para perseguir um interesse em cavalos, mas achei que seria fantástico se todos pudessem cheirar a doçura do palheiro e saborear o calor de um cobertor do estábulo numa noite fria de inverno», justifica Walinsky.
Fonte: Financial Times

7 de abr. de 2013

H&M dá show na Cidade-Luz


O gigante sueco não esteve “in” nem “out”, mas à margem da Semana de Moda de Paris. Sem cerimónia, mas com megafesta à qual não faltaram personalidades do mundo moda e célebres modelos, a marca de classe económica conseguiu sobressair entre os muitos desfiles das mais icónicas casas de luxo.   
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H&M dá show na Cidade-Luz
A H&M fez-se de convidada para a Semana de Moda de Paris, apresentado um desfile no segundo dia do calendário num dos mais belos espaços da capital francesa, o Museu Rodin. Foi a primeira vez que o gigante sueco mostrou uma coleção de moda à margem de uma “fashion week” e, para isso, não poupou meios nem tostões.
Uma enorme tenda branca, com cerca de 200 metros de comprimento, foi instalada nos jardins do museu, que no passado acolheu prestigiosos desfiles, nomeadamente das casas Dior e Saint Laurent. No interior, uma dúzia de aposentos foram reproduzidos de forma a constituir uma mansão. Os convidados foram instalados à volta de uma mesa ou na sala de estar ou no quarto de banho. Entre as várias personalidades do mundo da moda presentes encontravam-se a fotógrafa Ellen Von Unwerth ou ainda Carine Roitfeld, ex-diretora da Vogue Paris. 
A atmosfera, muito descontraída e musical, foi mais a de uma megafesta noturna do que de um desfile. O programa incluiu, no entanto, perneiras, longas camisolas e vestidos de noite. O preto dominou esta coleção que chegará às lojas em setembro. Mas acima de tudo, a H&M conseguiu reunir, e vestir, as maiores modelos do momento: Cara Delavingne, Isabeli Fontana, Joan Smalls, Arizona Muse,… No final do show, a noite continuou com a atuação dos "2Many DJ's", igualmente na moda. Desta forma, a H&M conseguiu criar bastante buzz entre o line-up dos desfiles de ilustres e luxuosas casas de moda. O desfile da marca sueca foi realizado na mesma noite que o da Thierry Mugler e poucas horas antes da estreia de Alexander Wang na Balenciaga, agendada para a manhã do dia seguinte.
Porquê durante a Semana de Moda? «Para chegar à imprensa de moda, francesa e internacional, que está presente em Paris neste momento», respondeu a H&M. E porquê em Paris e não durante a Semana de Moda de Nova Iorque, Londres ou Milão? «Paris, capital mundial da moda, impôs-se a nós», retorquiu a marca sueca.
«É uma prova da força da semana parisiense: tem que se estar aqui porque é onde estão os profissionais e a imprensa internacional», explicou, por seu lado, Didier Grumbach, presidente da Fédération Française de la Couture et du Prêt-à-Porter, na véspera do desfile. Mas criticou «um método um tanto ousado»: «aproveitar este ponto de encontro para atrair a imprensa não me agradou nada».
Donald Potard, consultor no negócio do luxo, também se mostrou algo reticente. «Se é para mostrar uma coleção puramente comercial, não vale a pena subir à passerelle», afirmou. «Durante uma semana de moda, há inúmeros desfiles e eu sou mais apologista de dar espaço aos jovens criadores que tanto se esforçam por estar presentes», advogou, sem deixar de desafiar a H&M a trabalhar com esses novos talentos.
De qualquer forma, o gigante sueco provou que sabe como criar buzz em Paris e até Los Angeles. No sábado prévio ao seu desfile, noite de Oscars na cidade dos anjos, a atriz Helen Hunt, nomeada na categoria de melhor atriz secundária, não passou despercebida. Enquanto as suas conterrâneas estavam vestidas em alta-costura Dior, Valentino ou Armani, Hunt envergava um longo vestido sem alças azul-escuro em cetim assinado… H&M. Um vestido concebido especialmente para ela e que já deu a volta ao mundo, pela Internet.

Fonte: AFP

31 de mai. de 2012

Hermès exalta a pele


A conhecida marca francesa de luxo apresentou em Londres uma exposição onde os seus valores, nomeadamente a paixão pela pele de qualidade e pelas artes manuais de exceção, são sublimados e onde a sua história de 175 anos é revisitada através dos icónicos modelos Kelly e Birkin.
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Hermès exalta a pele
 As salas polidas de Burlington Gardens em Londres tiveram um visitante pouco usual: Zouzou, um rinoceronte branco com cornos dourados esteve no edifício a celebrar a mais recente exposição da Hermès. “Leather Forever” (ou Pele para Sempre), que decorreu até 27 de maio, marcou o 175.º aniversário da produtora francesa de artigos de luxo e a sua paixão eterna pela pele.
Zouzou, um manequim rinoceronte vestido em pele branco ostra, esteve sentado na entrada da exposição, convidando todos os membros do público a interagir com a Hermès e a aprender sobre a sua história equestre e paixão pelo artesanato de qualidade.
«É uma forma muito poética e leve de passar a experiência da Hermès, a melhor forma de expressar o futuro da Hermès, quem somos e de onde vimos», afirmou Thierry Outin, diretor-geral da Hermès UK. «Estamos no Reino Unido há quase 50 anos e penso que esta é uma altura muito boa, em que estamos a celebrar Londres, o Jubileu da Rainha e os Jogos Olímpicos. É a altura ideal para reavaliarmos e mostrarmos esta cultura de artesanato, esta cultura de objetos bonitos, de grande qualidade, a uma audiência britânica», acrescentou.
As 12 espaçosas salas mostraram as diferentes histórias e perspetivas da Hermès, famosa por criar bolsas como a Kelly e a Birkin, assim chamadas em referência às atrizes Grace Kelly e Jane Birkin.
Os visitantes foram encorajados a interagir com a exposição, levantando painéis escondidos, tocando em ecrãs digitais ou simplesmente a sentir o cheiro da melhor pele que o dinheiro pode comprar.
«Todos os sentidos são estimulados, não apenas o cérebro. Não é apenas reunir informação, é também um estado de espírito à medida que se passa nas diferentes salas», referiu Patrick Albaladejo, diretor de comunicação para a estratégia da Hermès.
Em exposição esteve uma sela feita por encomenda complementada por asas em pele de bezerro em vermelho e laranja, assim como referências detalhadas às caixas laranja da Hermès, já uma imagem de marca, e uma escultura em néon de uma bolsa Kelly que mostrava as muitas variações dos modelos Kelly e Birkin criadas ao longo dos anos. Em grande parte, a imagem da empresa e consequente volume de negócios são ainda impulsionados por esta antiga divisão de artigos em pele e selas.
Como parte das festividades, a Hermès criou quatro bolsas únicas para representar o Reino Unido, que foram leiloadas pela Christie’s no passado dia 14 de maio. O resultado do leilão foi doado à Royal Academy of Arts.
Objetos de beleza
Os visitantes puderam também ver um verdadeiro artesão do atelier da empresa em Paris a trabalhar. Cada bolsa Hermès é criada por um artesão, desde o início ao fim, que assina o nome em cada bolsa que cria num local escondido dentro da mesma.
«Penso que um artesão é um mestre do conhecimento. Recebeu o know-how de um artesão mais velho quando estava em formação e, em contrapartida, ao longo do tempo, torna-se formador para passar o seu conhecimento a outros», explicou Albaladejo. «Mas o que é importante neste trabalho, não é tanto a técnica que vai usar, mas a natureza do objetivo que persegue e o seu objetivo de criar beleza», sublinhou.
Para criar estes objetos de beleza, cada artesão tem de se formar durante um ano e criar um modelo Kelly desde o início, pelo que não é de estranhar que esperar por uma bolsa Hermès possa levar cinco anos.
Albaladejo revelou que os tempos de espera por uma bolsa Birkin podem variar devido ao tempo que demora a criar e a aprovisionar a pele. «Pode ser qualquer coisa desde zero – pode conseguir uma hoje se for a uma loja ou quiser uma Birkin muito grande em pele de crocodilo – ou pode ter de esperar vários meses, talvez um ano, até conseguirmos a pele para a fazer. Não é possível responder com um número», resumiu.
Fonte: Reuters

7 de fev. de 2012

África atrai luxo


As crescentes aspirações dos consumidores africanos por fatos Hugo Boss, óculos de sol Prada e bolsas Louis Vuitton fazem lembrar a Índia e a China há uma década atrás, dizem os especialistas, mas a África ainda tem um longo caminho a percorrer até corresponder à forte procura da Ásia por produtos de luxo.
 
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África atrai luxo
 Apesar de milhões de africanos permanecerem presos à pobreza estrema, o continente em rápido crescimento já não é definido apenas pelas privações e doenças. Os vendedores de marcas de luxo estão a focalizar o pequeno mas cada vez mais visível número do que os retalhistas sul-africanos chamam “diamantes negros", ou profissionais africanos afluentes.
A população africana de pessoas cujas fortunas são suficientemente grandes para se qualificarem como “indivíduos de rendimentos elevados” foi a de mais rápido crescimento no mundo em 2009/2010, segundo o último relatório anual da Merrill Lynch e Capgemini. Claramente um grupo exclusivo – normalmente de elites do governo – que há décadas compra em Londres, Paris e Nova Iorque.
No entanto, o aumento dos rendimentos disponíveis e o desenvolvimento de novos centros comerciais significa que mais africanos já podem comprar produtos de luxo no próprio país. As economias Subsaarianas estão entre as que mais crescem no mundo. A própria região deverá aumentar em média 6% este ano, impulsionada pela contínua procura por petróleo e minerais.
Mas as grandes fortunas continuam ainda concentradas nas mãos de alguns poucos afortunados, ou seja, muitos compradores de marcas de luxo na África são “consumidores aspiracionais”: compradores que vão desbaratar o seu dinheiro num produto, mesmo quando podem não ser capazes de o pagar.
A paixão de África por marcas de luxo muito caras é mais visível nos carros. As ruas esburacadas de Nairobi, Lagos e do município de Soweto em Joanesburgo são cada vez mais o palco para automóveis Audi, BMW ou Mercedes-Benz.
Muitos consumidores pagam estes produtos onerosos através do recurso ao crédito, o que poderá representar um risco para a economia. O banco central da África do Sul tem alertado repetidamente que os níveis de dívida são demasiado elevados na maior economia do continente. O endividamento das famílias é atualmente 75% do rendimento disponível, de acordo com os dados divulgados em dezembro pelo South African Reserve Bank. Em comparação, no Brasil, esta proporção foi de 42,5% em outubro de 2011.
Os sul-africanos gastam em média 7% do seu rendimento disponível apenas nas despesas das dívidas. Durante uma recessão em 2009, os bancos foram fortemente afetados pelo crescimento das dívidas incobráveis nas unidades de financiamento de veículos.
Isabel Cavill, uma analista do gabinete de pesquisa Planet Retail em Londres, prevê que os compradores abastados continuem a multiplicar-se em África, mas muito mais lentamente do que na China ou na Índia.
Para os gerentes de lojas locais, o crescimento constante nos últimos anos tem sido notável. Há apenas cinco anos atrás, algumas lojas de gama alta no centro comercial Sandton City na cidade de Joanesburgo, poderiam passar um dia inteiro sem vender nada, de acordo com vários gerentes entrevistados pela Reuters. Este não é o caso atualmente, com alguns retalhistas a apontarem médias de 30 clientes por dia.
Mesmo os países mais pequenos que ainda estão dependentes da ajuda externa, como o Senegal, começaram a registar hábitos de compra mais generosos. Dakar alberga o centro comercial Sea Plaza de 35 milhões dólares, inaugurado em 2010, e o hotel de luxo Radisson Blu. Fruto do trabalho do empresário senegalês Sow Yerim, os dois locais tornaram-se atrações de topo e arrastam 4.500 visitantes num dia movimentado. O Sea Plaza alberga marcas como Hugo Boss, Mango e Guess, bem como pontos de venda de vestuário de alta-costura e lojas de artigos eletrónicos de gama alta.
Para além do Senegal, a germânica Hugo Boss criou uma presença em vários outros países africanos que têm sido até agora ignorados pelos grandes nomes do retalho mundial, contando com pontos de venda em países como Moçambique, Angola e Costa do Marfim.
Mas os retalhistas internacionais enfrentam muitos obstáculos em África, particularmente as fracas infraestruturas e a generalizada corrupção administrativa. «O mercado de luxo em África vai enfrentar desafios significativos para registar algo próximo à expansão da China», afirma Joelle de Montgolfier da Bain & Co. «A China é um mercado muito unificado e a África é composta por 57 mercados com regulamentos diferentes. É um pouco mais complexo fazer negócios em África», conclui. Mas estas dificuldades não parecem suficientes para deter os consumidores africanos.
 
Fonte: Reuters

30 de jan. de 2012

Courrèges regressa on-line


A moda retro da marca francesa Courrèges chega à Internet no próximo dia 1 de fevereiro, após um período conturbado e o quase desaparecimento do mercado. Um renascimento de uma marca icónica que nos anos 60 e 70 concorreu com a Chanel e a Dior nas preferências das fashionistas de todo o mundo.
 
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Courrèges regressa on-line
A Courrèges, marca de moda futurista nos anos 60, quer voltar a trazer as suas botas em vinil e os minivestidos evasé à ribalta, relançando a marca francesa através da aposta na Internet.
Um ano após ter sido vendida por mais de 10 milhões de euros a dois diretores da agência de publicidade Young & Rubicam, Jacques Bungert e Frederic Torloting, a Courrèges quer também expandir o negócio de perfumes.
As formas simples e a paleta minimalista em preto e branco do criador André Courrèges – um protegido de Balenciaga – atingiram o seu auge nos anos 60 e 70, rivalizando com a Chanel e a Dior, antes de ser vendida a investidores japoneses nos anos 80.
Uma década mais tarde, Courrèges e a sua mulher Coqueline compraram novamente a marca mas esta basicamente desapareceu até ser comprada por Bungert e Torloting em janeiro de 2011.
«Esperamos que a Courrèges regresse, em cinco a 10 anos, ao seu estatuto anterior como marca mundial com a sua dimensão de inovação que anteriormente fez o seu sucesso», afirmou Bungert. «Quando o sentimento de uma marca é respeitado, pode renascer sem perder a sua integridade», acrescentou.
Atualmente, o vestuário e acessórios da Courrèges são vendidos na loja de Paris no 8.º Arrondissement, onde as vendas aumentaram 40% num ano, segundo Bungert. O volume de negócios total da marca é de cerca de 20 milhões de euros.
As vendas na Internet começam a 1 de fevereiro, com as consumidoras a poderem comprar on-line praticamente todas as peças de vestuário e acessórios disponíveis na loja.
Torloting considera mesmo que o design da Courrèges adapta-se bem às vendas on-line, já que a marca não usa o tipo de tecidos delicados que se podem estragar nos envios.
Quanto aos perfumes, o Empreinte e Eau de Courrèges, atualmente vendidos apenas na loja, serão também distribuídos em mais locais e está a ser planeada uma campanha publicitária, a primeira desde 1996. O fundador André Courrèges, contudo, sempre recusou usar celebridades para promover as suas criações, argumentando que designs como os da coleção “Space Age” de 1964 foram criados para «mulheres comuns».
Torloting, por seu lado, já assegurou que não tem qualquer intenção de apresentar duas coleções por ano em desfiles nas semanas de moda da indústria. «A ideia de criar coleções que se empurram umas às outras não nos parece muito moderna», afirmou Torloting. «Não queremos produzir a nossa própria obsolescência», concluiu.
 
Fonte: Alexandra Costa

5 de dez. de 2011

Marni é a parceira que se segue


A Primavera 2012 da H&M anuncia-se em tons vivos, estampados arrojados e um estilo lúdico mas chique. Tudo com a assinatura da casa de moda italiana Marni, que reinventou os seus clássicos para compor um guarda-roupa imbuído do espírito luxuoso que lhe é característico mas ao preço da fast fashion.    
 
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Marni é a parceira que se segue
A H&M soma e segue. Ainda a saborear o recente sucesso de vendas da colecção assinada pela criadora italiana Donatella Versace, a marca sueca tem já na calha uma nova parceira para a Primavera-Verão 2012, a também italiana Marni. Apesar de ser um negócio familiar, a casa de moda celebrizada pelos seus estampados originais transformou-se, em menos de duas décadas, numa marca de luxo à escala mundial com lojas espalhadas por todo o mundo. 
Consuelo Castiglioni, que fundou a Marni em 1994 e é a sua actual directora criativa, criou uma colecção para a H&M pautada pelo espírito inventivo que caracteriza a marca italiana. «Queria criar um verdadeiro guarda-roupa Marni revisitando todas as nossas peças favoritas, os seus tecidos e estampados», explicou a directora criativa, que revelou adorar «os estampados sobrepostos e coloridos, que misturem o tribal moderno com o grafismo Bahaus e acrescentem elementos desportivos práticos».
A colecção da Marni para a H&M está, assim, imbuída da liberdade e do experimentalismo que são a marca da casa de moda italiana, através nomeadamente de estampados em cores fortes.
Para a mulher, as tonalidades das peças são vivas e os estampados arrojados, com influências africanas ou simples blocos de cores. As silhuetas têm também a assinatura da casa italiana, que pontuam saias plissadas, vestidos e calças. Os materiais variam de malhas jacquard a tecidos de seda ou popelina de algodão. Para um look total Marni, a colecção inclui ainda jóias, calçado, bolsas e lenços. Quanto às propostas para homem, apostam em cores e tecidos mais suaves. Os estampados são mais subtis, por vezes num forro ou num pormenor da camisa. Os clássicos masculinos são revisitados com um toque moderno e descontraído.
«Todos nós adoramos a colecção e estamos confiantes que os nossos clientes vão sentir o mesmo», afirmou Margareta van den Bosch, assessora criativa da H&M, que considera que «a Marni tem um toque tão moderno em tudo o que faz, combinando estampados e acessórios de forma lúdica mas chique» e que acredita que «a colecção chegará às lojas num momento perfeito, como uma bela declaração para a Primavera».
 
A nova linha será oficialmente lançada a 8 de Março de 2012 no site da H&M e somente em 260 lojas seleccionadas da cadeia de retalho sueca. «Colaborar com a H&M foi um desafio apaixonante», confessou Consuelo Castiglioni, que se mostrou «muito orgulhosa do resultado» porque «tudo tem o mesmo nível qualitativo, artesanal e cuidado no detalhe pelos quais a Marni é conhecida». Já a assessora criativa da H&M sublinhou que a colecção «tem um nível de criatividade enorme», assim como «elevada expressão artística nos seus estampados e tecidos».
fonte:Portugal Têxtil