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27 de nov. de 2012

Limousin: a tradição do luxo

A região francesa que alberga a cidade de Limoges produz mais do que porcelanas – é também um centro de produção de moda de luxo, do vestuário ao calçado, que serve algumas das mais conceituadas casas como Givenchy, Chanel ou Dior e prepara-se para disseminar esse know-how internacionalmente.
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Limousin: a tradição do luxo
A região francesa de Limousin é mais conhecida pelas suas vacas bem nutridas, queijos fortes e porcelana fina. Mas é também casa de uma rede de artesãos de luxo, que produz desde vestuário a calçado e que quere agora exportar os seus artigos.
Apesar de uma experiência já com 30 anos, Bernard ainda demora três horas para acabar de coser uma costura, com as suas mãos a trabalharem na pele grossa com uma agulha e fio de sapateiro. Os sapatos que manufatura irão ser vendidos a 1.400 euros o par, um salário mensal para alguém que se está a iniciar no negócio de sapateiro. O seu empregador é o produtor francês de calçado de luxo J. M. Weston, que produz 80% do calçado em Limoges.
Bernard é uma das cerca de 860 pessoas empregadas pelo sector de artesanato de luxo em Limousin, que juntas produzem um volume de negócios anual de 97 milhões de euros.
Fundada em 1891, a J.M. Weston opera duas empresas de curtumes, com o objetivo de alimentar o know-how existente na casa, produzindo até a sua própria graxa.
A produtora de luvas Agnelle, com sede na cidade de Saint-Junien, em Limousin, é gerida por Sophie Gregoire, bisneta da fundadora da casa, e parte de uma família com tradição na produção de luvas que remonta ao século XI. Também esta empresa mantém toda a cadeia de produção dentro de portas.
A mãe de Sophie, Josie Leroyer, colocou a empresa no atual caminho em finais dos anos 60, quando convenceu a casa de moda francesa Dior a confiar-lhe a produção das suas luvas. A filha completou o trabalho, comprando de volta a empresa de família e «reintroduzindo os básicos da profissão: excelência, conhecimento e competências dentro da casa», explicou a chefe do atelier, Joelle Talbot. «Ela percebeu que um know-how único estava prestes a ser perdido», sublinhou.
Hoje, os clientes da empresa incluem a Givenchy, Marc Jacobs e Ralph Lauren. As suas 20 costureiras produzem cerca de 120 mil pares de luvas por ano, com completo domínio dos 30 passos do processo de produção.
Também com sede em Limoges, a produtora de vestidos C 2000 é uma das poucas empresas francesas especializadas numa técnica de confeção de alta-costura para peças fluídas, chamada “flou”, fornecendo a Chanel, Lanvin e Dior.
O seu diretor-geral, Bernard Blaizeau, está bem consciente da necessidade de alimentar o conhecimento das suas 32 costureiras, cujos salários representam a grande parte dos custos de produção, 70% do volume de negócios.
Assegurar que os seus conhecimentos são transmitidos à próxima geração é uma das principais preocupações. «Sistematicamente substituímos pessoas que se reformam e cada nova recruta é ensinada pela pessoa a quem vai suceder durante dois ou três anos antes da passagem de testemunho», revelou Blaizeau. «Cada novo elemento tem uma madrinha, que lhe ensina os princípios da alta-costura. É um grande investimento», acrescentou.
Juntamente com a área de Paris e a região de Rhônes-Apes, perto de Lyon, Limousin é uma das três regiões francesas com número mais elevado de empresas de base artesanal, aquilo que França descreve como empresas de «herança viva».
Para destacar o seu património, as autoridades regionais estão atualmente a criar um rótulo de luxo de Limousin, denominado “Dare to be diferent”, com o objetivo de enaltecer os seus artesãos e promover as suas capacidades.
«Precisamos de exportar para mercados emergentes com um forte potencial e capacidade financeira», argumentou o responsável do Conselho Regional de Limousin, Jean-Pierre Denanot. «Internacionalizar é crucial para mantermos as nossas artes vivas», concorda Blaizeau, que espera que as empresas locais possam aprender com o exemplo da J.M. Weston, que se expandiu para o estrangeiro com sucesso.
A câmara de comércio local já criou uma associação, a “Luxury and excellence in Limousin”, que reúne 13 empresas no topo do mercado. Alguns já entraram com sucesso na Rússia, China ou Arábia Saudita, indicou o responsável da câmara.

Fonte: AFP

31 de mai. de 2012

Hermès exalta a pele


A conhecida marca francesa de luxo apresentou em Londres uma exposição onde os seus valores, nomeadamente a paixão pela pele de qualidade e pelas artes manuais de exceção, são sublimados e onde a sua história de 175 anos é revisitada através dos icónicos modelos Kelly e Birkin.
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Hermès exalta a pele
 As salas polidas de Burlington Gardens em Londres tiveram um visitante pouco usual: Zouzou, um rinoceronte branco com cornos dourados esteve no edifício a celebrar a mais recente exposição da Hermès. “Leather Forever” (ou Pele para Sempre), que decorreu até 27 de maio, marcou o 175.º aniversário da produtora francesa de artigos de luxo e a sua paixão eterna pela pele.
Zouzou, um manequim rinoceronte vestido em pele branco ostra, esteve sentado na entrada da exposição, convidando todos os membros do público a interagir com a Hermès e a aprender sobre a sua história equestre e paixão pelo artesanato de qualidade.
«É uma forma muito poética e leve de passar a experiência da Hermès, a melhor forma de expressar o futuro da Hermès, quem somos e de onde vimos», afirmou Thierry Outin, diretor-geral da Hermès UK. «Estamos no Reino Unido há quase 50 anos e penso que esta é uma altura muito boa, em que estamos a celebrar Londres, o Jubileu da Rainha e os Jogos Olímpicos. É a altura ideal para reavaliarmos e mostrarmos esta cultura de artesanato, esta cultura de objetos bonitos, de grande qualidade, a uma audiência britânica», acrescentou.
As 12 espaçosas salas mostraram as diferentes histórias e perspetivas da Hermès, famosa por criar bolsas como a Kelly e a Birkin, assim chamadas em referência às atrizes Grace Kelly e Jane Birkin.
Os visitantes foram encorajados a interagir com a exposição, levantando painéis escondidos, tocando em ecrãs digitais ou simplesmente a sentir o cheiro da melhor pele que o dinheiro pode comprar.
«Todos os sentidos são estimulados, não apenas o cérebro. Não é apenas reunir informação, é também um estado de espírito à medida que se passa nas diferentes salas», referiu Patrick Albaladejo, diretor de comunicação para a estratégia da Hermès.
Em exposição esteve uma sela feita por encomenda complementada por asas em pele de bezerro em vermelho e laranja, assim como referências detalhadas às caixas laranja da Hermès, já uma imagem de marca, e uma escultura em néon de uma bolsa Kelly que mostrava as muitas variações dos modelos Kelly e Birkin criadas ao longo dos anos. Em grande parte, a imagem da empresa e consequente volume de negócios são ainda impulsionados por esta antiga divisão de artigos em pele e selas.
Como parte das festividades, a Hermès criou quatro bolsas únicas para representar o Reino Unido, que foram leiloadas pela Christie’s no passado dia 14 de maio. O resultado do leilão foi doado à Royal Academy of Arts.
Objetos de beleza
Os visitantes puderam também ver um verdadeiro artesão do atelier da empresa em Paris a trabalhar. Cada bolsa Hermès é criada por um artesão, desde o início ao fim, que assina o nome em cada bolsa que cria num local escondido dentro da mesma.
«Penso que um artesão é um mestre do conhecimento. Recebeu o know-how de um artesão mais velho quando estava em formação e, em contrapartida, ao longo do tempo, torna-se formador para passar o seu conhecimento a outros», explicou Albaladejo. «Mas o que é importante neste trabalho, não é tanto a técnica que vai usar, mas a natureza do objetivo que persegue e o seu objetivo de criar beleza», sublinhou.
Para criar estes objetos de beleza, cada artesão tem de se formar durante um ano e criar um modelo Kelly desde o início, pelo que não é de estranhar que esperar por uma bolsa Hermès possa levar cinco anos.
Albaladejo revelou que os tempos de espera por uma bolsa Birkin podem variar devido ao tempo que demora a criar e a aprovisionar a pele. «Pode ser qualquer coisa desde zero – pode conseguir uma hoje se for a uma loja ou quiser uma Birkin muito grande em pele de crocodilo – ou pode ter de esperar vários meses, talvez um ano, até conseguirmos a pele para a fazer. Não é possível responder com um número», resumiu.
Fonte: Reuters